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Genômica pode atingir 50% de touros Angus avaliados em dois anos

25/11/2020

 

Em dois anos, o Brasil deve atingir o mesmo patamar de genotipagem de reprodutores Angus dos Estados Unidos. Resguardadas as proporções dos rebanhos, a meta é ter um em cada dois animais avaliados no Programa de Melhoramento de Bovinos de Carne (Promebo) genotipado, projeção apresentada pelo geneticista e chefe da Embrapa Pecuária Sul, Fernando Cardoso, na noite desta terça-feira (24) durante a 3ª Jornada Técnica Angus. Segundo ele, a previsão de genotipar 50% dos reprodutores avaliados/ano é realista e factível. Neste ano, a jornada foi promovida totalmente de forma virtual com transmissão por plataforma fechada, pelo Lance Rural e pelos canais de YouTube da Associação Brasileira de Angus e do Canal Rural. A programação segue nesta quarta-feira (25/11) e quinta-feira (26), com início sempre às 19h. As inscrições ainda estão abertas por meio deste link.

O trabalho de genômica dos rebanhos Angus do Brasil vem sendo acompanhado de perto pelos geneticistas norte-americanos, principalmente por ofertar análises para características inéditas e de difícil mensuração, como a resistência ao carrapato. Participando da transmissão, o pesquisador canadense e diretor da Angus Genetics Inc (AGI), Stephen Miller, apresentou a expansão consistente da genômica no rebanho dos EUA. O trabalho iniciou-se em 2010. Em 2012, eram 11 mil animais genotipados, marca que atingiu 873 mil em 2020 e, dentro de um ano, deve passar das históricas 1 milhão de cabeças.

Segundo ele, é essencial o avanço das análises de fenótipo para formação da base de dados para as avaliações genômicas, garantindo que o levantamento mantenha-se atualizado e a acurácia do sistema aumente rumo a um novo futuro para a pecuária. "A taxa está crescendo de forma consistente. Tão logo colocamos as avaliações para uso dos criadores, eles mesmos começaram a genotipar seus animais. Isso foi o que impulsionou o banco de dados", ponderou ele. Processo similar vem ocorrendo no Brasil, uma vez que importantes criatórios já genotiparam seus rebanhos e, inclusive, forneceram seus dados para compor a base de referência da raça como a Casa Branca Agropastoril, de Silvianópolis (MG).

Miller explicou que, quanto maior a dificuldade de avaliação de uma característica, maior precisa ser sua população de referência. Um exemplo é a análise de conformação de patas, o que a Associação Americana de Angus chama de tolerância à altitude, e a capacidade de pelechamento, algo essencial para regiões com altas temperaturas. Com 10 mil animais genotipados para essa característica, os EUA avaliam a adaptação desse gado a regiões de climas quentes e a capacidade de perder a pelagem de inverno. Pesquisa realizada com animais no Missouri e na Carolina do Norte indicou diferentes níveis de pelechamento. "Constantou-se que a herdabilidade para perda de pelo é alta, e a genômica contribuiu com as DEPs para essa característica. A genômica está tendo uma influência importante nas DEPs nos Estados Unidos".

O avanço consistente da genômica frente às DEPs gerou dúvidas entre os próprios criadores norte-americanos. Mas, afinal, será que esse novo rumo de seleção estava levando os rebanhos para um caminho seguro? O assunto gerou tanta preocupação que motivou uma pesquisa. Miller explicou que os criadores resolveram olhar o passado com novos olhos, avaliando se as informações genotípicas realmente se confirmaram com as progênies. O estudo considerou 178 touros com ao menos 25 filhos com avaliações de porcentagem de gordura intramuscular, peso ao nascer, peso a desmama e peso ao ano.

 

A análise das predições desses reprodutores foi feita em recortes diferentes: avaliando apenas os dados de pedigree, avaliação de pedigree + desempenho próprio do animal, apenas genômica e os dados foram comparados com a análise da progênie. A conclusão foi que o maior índice de confiabilidade de seleção encontra-se na análise conjunta entre dados genômicos e o histórico do animal. "Usando apenas a genômica, temos resultados superiores às antigas DEPs. Avaliando o genótipo, o valor do fenótipo fica menor. Se olharmos para o touro pós-progênie, fica claro que o genótipo tem melhor resultado", concluiu.

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