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Soja: Chuva para lavouras do Cerrado terá antecipação já em outubro

29/07/2020

 

O Cerrado, onde o Brasil cultiva cerca de metade de sua soja, deverá receber precipitações mais generalizadas a partir do final de outubro, o que deve favorecer um plantio antecipado ante a temporada anterior, quando o chamado regime de chuvas só foi se instalar no final de novembro em áreas como a região do Matopiba, avaliou um agrometeorologista nesta quarta-feira. “Uma coisa é a instalação do regime de chuvas, a outra são as chuvas... Chuvas generalizadas, no Estado inteiro, essas só vão acontecer no final de outubro no Cerrado”, disse Marco Antonio dos Santos, da Rural Clima.

 

Em entrevista, ele afirmou que do “sul de São Paulo para baixo” as precipitações mais gerais poderão ocorrer já a partir do final de setembro, permitindo um plantio com mais segurança aos produtores. Apesar de mais antecipadas que em 2019/20, as chuvas não serão tão precoces quanto na temporada anterior, quando em 2018 sojicultores conseguiram realizar o plantio que é considerado o mais acelerado da história.

“O Paraná e sul de Mato Grosso do Sul devem começar o plantio dentro de uma normalidade, lá para meados de setembro... já o Mato Grosso e Goiás não terão ausência total de chuvas, mas teremos chuvas muito irregulares de 15 de setembro a 15 de outubro nessas áreas”, acrescentou o especialista.

 

Segundo Santos, se tudo correr conforme esperado, o produtor de Mato Grosso poderá iniciar a colheita no final de dezembro, uma oferta muito bem-vinda, considerando que o Brasil deve encerrar o ano com estoques nos mais baixos níveis da história. “Em Mato Grosso, na primeira quinzena de janeiro vai ter muita soja para embarque. Se tudo isso correr bem, a segunda safra, seja de milho ou algodão, vai ter um cenário promissor, muito dela vai ser plantado dentro janela ideal”, destacou.

 

O plantio antecipado não chega a ser importante para a soja, em termos de produtividade, mas é fundamental para os rendimentos agrícolas da segunda safra, mais exposta a intempéries climáticas. O agrometeorologista baseia as projeções em uma expectativa de normalidade climática. Ele disse que há uma tendência de que as águas do Pacífico se mantenham um pouco mais frias que o normal na região equatorial, entre o final do inverno e o início de primavera, mas isso ainda não deve configurar um fenômeno La Niña. “Se tivesse uma La Niña já instalada, não é o caso, mas se assim fosse as chuvas só iriam ocorrer no final de outubro. Como está esse clima neutro já teremos chuvas no final de setembro”, afirmou ele, referindo-se ao Sul e Sudeste.

 

Essa situação de normalidade climática não deve implicar em riscos para o Sul do Brasil e permitir também um plantio um pouco mais antecipado ante 2019 em áreas como o Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), comentou Santos. Na safra 2019/20, o Rio Grande do Sul sofreu severas perdas na soja, o que impediu que o Brasil colhesse uma safra ainda maior.

 

Dessa forma, prevendo um crescimento no plantio, a Rural Clima trabalha preliminarmente com uma safra brasileira potencial de 131 milhões de toneladas, o que superaria o recorde da temporada atual, cuja produção está oficialmente estimada em 120,9 milhões de toneladas. “Se o plantio rodar cedo, acho que tem possibilidade aumentar mais área e chegar a aumentar 1 milhão de hectares, se demorar, a área pode ter um aumento de 0,6 a 0,8 milhão”, concluiu. O Brasil plantou 36,9 milhões de hectares em 2019/20.

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