Please reload

Especialistas debatem caminhos à geração de bioinsumos e bioprodutos

24/07/2020

 

A Embrapa Agroenergia promoveu nesta quinta-feira (23) mais uma live com representantes do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), da Associação Brasileira de Bioeconomia (Abbi) e da empresa Braskem. Desta vez, o debate foi sobre as oportunidades que o Brasil tem para agregar valor à sua biodiversidade por meio da geração de bioinsumos e bioprodutos. Alexandre Alonso, chefe-geral da Embrapa Agroenergia, iniciou o debate afirmando que a sustentabilidade é uma agenda imperativa no mundo atual e será a palavra de ordem do pós-pandemia de Covid-19. “O movimento é bastante consistente no mundo. Já existem várias agendas nesse contexto e o Brasil está na vanguarda”, disse.

Thiago Falda, presidente-executivo da Abbi, iniciou sua fala afirmando que a população tem demandado por tecnologias mais sustentáveis e que continuar gerando resíduos não-renováveis levaria a economia global ao colapso, sendo o aquecimento global o fator de maior impacto. “Os desafios estimulam a sociedade a desenvolver tecnologias com o uso de novos recursos energéticos e matérias-primas”, disse.

Para Falda, há potencial para reproduzir de forma sustentável qualquer produto de origem fóssil, com o uso da biotecnologia para o desenvolvimento de novas moléculas, produtos e cadeias. Ele ressaltou que o Brasil se destaca dos demais países do mundo por sua biodiversidade e biomassa abundantes e por estar modernizando seus marcos regulatórios. “A legislação deve acompanhar o desenvolvimento tecnológico para que o potencial de desenvolvimento econômico não tenha freio”, disse, alertando que se os programas de estimulo à inovação não continuarem o Brasil corre o risco de “perder o bonde”.

Mateus Schreiner, gerente global da indústria química Braskem, ressaltou que o mundo está numa corrida para reduzir a pegada de carbono e que várias empresas, como a Braskem, já estão caminhando nesse sentido. “Nas próximas décadas, investiremos para aumentar a capacidade para produzir produtos renováveis. É um caminho sem volta que vai exigir uma conexão cada vez maior entre a indústria de materiais e uma agricultura de baixo carbono”, afirmou.

Programa Nacional de Bioinsumos


Fernando Camargo, secretário de Inovação, Desenvolvimento Rural e Irrigação do Mapa, falou sobre o Programa Nacional de Bioinsumos. Lançado pelo governo em maio deste ano, o programa tem como objetivo estimular o aproveitamento da biodiversidade brasileira para reduzir a dependência de insumos importados e ampliar a oferta de matéria-prima para os produtores rurais.

Para Camargo, o contexto mundial do pós-pandemia vai trazer mudanças radicais, onde passaremos do food security (segurança alimentar) para o food safety (segurança dos alimentos). “Internacionalmente a preocupação com o meio ambiente voltou a ser forte. O tema do carbono neutro será cada vez mais relevante”, disse.

Na opinião do secretário, há no Brasil todo um contexto favorável para a bioeconomia e o lançamento do Programa Nacional de Bioinsumos se insere nesse contexto. “Já existiam iniciativas na área de bioinsumos. Regulamentamos somente onde era necessário. Agora queremos saber o que mais o setor produtivo precisa que o poder público faça”, questionou, reforçando a importância do feedback do setor produtivo.

Na mesma linha, Cleber Soares, diretor de Inovação do MAPA, falou sobre o protagonismo do consumidor sobre o que consome e que cada vez mais a sociedade irá exigir valores intrínsecos e extrínsecos nos produtos. “O futuro das principais atividades econômicas será bio. A indústria química já está refletindo sobre o seu modelo de negócios. O que precisa crescer é a agricultura com base em ativos  biológicos, suportada pela bioeconomia e bioenergia”, disse.

Como visão de futuro, Cleber aposta que a associação carbono + água será o próximo grande desafio mundial. “O produtor que entender e entrar nesse modelo só tem a ganhar num horizonte de tempo muito curto”, concluiu.

Brasil está no caminho certo


O Brasil está no caminho, mas ainda tem uma série de desafios a vencer. Essa é a opinião de Guy de Capdeville, diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa, outro convidado da live. Para Guy, já definimos políticas de Estado e agora o Governo Federal deverá ajudar a encontrar novos mercados para os bioinsumos e bioprodutos. “É preciso entender o modelo das indústrias de base biológica que tem de ser estabelecido no país. O momento chama para um novo modelo: bioeconomia com a substituição de produtos de origem fóssil”, afirmou.

Please reload

Agroatividade 2016 - Agronegócio Ativo