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Pesquisadores usam levedura contra fungo causador da podridão da manga

03/12/2019

 

Cientistas da Embrapa Meio Ambiente (SP) encontraram uma levedura que controla o Botryosphaeria dothidea, importante fungo causador da podridão peduncular da manga. O microrganismo não é controlado pelos métodos convencionais de aplicação de químicos ou tratamento térmico pós-colheita. Por isso, a descoberta dos pesquisadores Bernardo Halfeld Vieira, Daniel Terao e Kátia Nechet é capaz de gerar uma solução para o problema sem deixar resíduos químicos nos frutos o que, além de ser mais saudável à saúde humana, evita barreiras internacionais de países que não aceitam tratamentos químicos.

Vieira ressalta que esse patógeno é capaz de inviabilizar a exportação de manga no primeiro semestre do ano. Isso depende das condições climáticas, principalmente das chuvas na época da floração e início de frutificação.

O biocontrole por meio do uso da levedura mostrou ser mais eficiente que o tratamento químico com o fungicida tiabendazol, normalmente utilizado. Não foi detectada produção de nenhuma substância inibitória pela levedura, portanto, não há envolvimento de um princípio ativo.

O agente de controle biológico Candida membranifaciens foi a levedura que apresentou maior eficácia quando comparado ao fruto tratado com fungicida durante o período de armazenamento de 11 dias. Em contraste, os frutos-controle (sem tratamento com o fungicida e sem aplicação da levedura) estavam completamente podres antes do fim do experimento.

"Não há ainda uma previsão de custo porque foram feitos apenas testes experimentais, não existe ainda um produto formulado”, explica o pesquisador. O tratamento convencional é feito apenas à base de fungicidas. O que é usado atualmente combina o hidrotérmico, por imersão da fruta em água quente, com o uso de fungicidas, que deixa resíduos químicos e não tem se mostrado eficaz no controle da doença.

“O estudo demostrou que a competição, assim como a formação de uma camada de levedura nos possíveis locais de infecção após a colonização, desempenha um papel importante na redução da severidade da podridão peduncular da manga”, conta Vieira.

O problema principal do uso maciço de fungicidas é a contaminação das frutas com resíduos indesejáveis, e eles ainda não oferecem total proteção contra o apodrecimento. Os fungos adquirem resistência quando um mesmo fungicida é usado continuamente, fazendo-o perder sua eficácia. Outro problema é que existem poucas formulações registradas para esse fim, e uma grande variedade de fungos causando doenças em pós-colheita de frutas.

São basicamente três os princípios ativos disponíveis com registro para tratamento de frutas: o thiabendazole, o imazalil e o procloraz. O primeiro tem apresentado baixa eficiência pelo desenvolvimento de raças de fungos resistentes devido ao uso prolongado e contínuo do princípio ativo. O uso de procloraz não é vetado na pós-colheita pela maioria dos países importadores.

Daniel Terao explica que esses produtos, embora sejam registrados para poucas espécies de frutas e controle de poucas espécies de fungos, têm sido usados de forma indiscriminada, devido à carência de alternativas, mesmo não apresentando eficiência.

A aplicação


O pesquisador Daniel Terao prevê que seja feito um tratamento combinado entre o hidrotérmico com a aplicação posterior do produto biológico. Os frutos seriam tratados primeiro por aspersão de água quente, sobre escovas rolantes, a uma temperatura adequada e por curto intervalo de tempo, para controlar o fungo sem afetar a qualidade da fruta, seguido de resfriamento com água fria, para interromper o efeito da temperatura elevada. Em seguida, seria feita a aplicação do biocontrolador, por aspersão da suspensão da levedura via spray, na concentração recomendada. O especialista frisa que os parâmetros e o protocolo de tratamento estão em fase de desenvolvimento.

Levedura compete com fungo da podridão


Os resultados mostram que o mecanismo responsável pelo controle da doença por leveduras não está relacionado nem à antibiose (atuação de substâncias produzidas pela levedura) nem ao parasitismo. Os cientistas explicam que o resultado é obtido porque a levedura realiza uma competição com o fungo da podridão, formando um filme no local onde o patógeno faz a infecção. Isso forma uma barreira mecânica entre a superfície de um ocasional ferimento na casca e o patógeno, promovendo um controle biológico eficaz contra patógenos pós-colheita.

“As leveduras são capazes de competir pelos recursos essenciais necessários para o crescimento do fungo da podridão, em uma etapa antes da penetração do patógeno, afetando a sua capacidade em causar infecção”, detalha o pesquisador da Embrapa.

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