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País cresce 0,6% no 3º trimestre com força do agro, consumo e indústria

03/12/2019

 

O crescimento da economia do Brasil acelerou mais do que o esperado no terceiro trimestre em meio a ganhos da agropecuária, da indústria e do consumo das famílias, com força no investimento e indicando recuperação gradual sustentada à frente. O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresceu 0,6% no terceiro trimestre em relação ao segundo, informou nesta terça-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

 

Depois de apresentar tropeços no início do ano e beirar a recessão técnica, a atividade mostrou melhora após alta de 0,5% no segundo trimestre e estabilidade no primeiro. Esses dados foram revisados pelo IBGE para, respectivamente, um crescimento de 0,4% e contração de 0,1% informados antes. O desempenho visto entre julho e setembro foi o mais forte desde o primeiro trimestre de 2018, quando houve alta de 0,7%.

 

Na comparação com o terceiro trimestre de 2018, o PIB teve crescimento de 1,2%. Os resultados ficaram acima da expectativa em pesquisa da Reuters de avanços de 0,4% na base trimestral e 1,0% na anual. O ano foi inicialmente marcado pelas dificuldades políticas em torno das reformas econômicas, mas já no terceiro trimestre havia indicações de que a reforma da Previdência seria aprovada.

 

Considerada crucial para organizar as contas públicas, sua aprovação foi finalmente alcançada no Congresso em meados de outubro, voltando as atenções para a capacidade do governo de aprovar outras, como a tributária. A inflação fraca e a queda da taxa de juros a mínimas recordes ainda ajudaram os gastos dos consumidores no terceiro trimestre, enquanto a produção industrial se manteve em alta. “Os números começam a indicar que a mudança no mix de política econômica está começando a gerar resultados positivos para o país, e sugerem recuperação sustentada da economia”, avaliou o estrategista-chefe do Banco Mizuho, Luciano Rostagno.

 

GANHOS
 

Os dados do IBGE mostram que, em relação às despesas, o Consumo das Famílias registrou alta de 0,8% no terceiro trimestre, acelerando de uma expansão de 0,2% no período anterior e se mantendo como importante motor do crescimento. “O consumo das famílias foi o mais importante para o crescimento do PIB. Ele tem a ver com a recuperação gradual do mercado de trabalho, a Selic em queda e a inflação baixa, além do crédito mais abundante para as famílias”, explicou a economista do IBGE Rebeca Palis.

 

Já a Formação Bruta de Capital Fixo, uma medida de investimento, manteve um ritmo forte de crescimento de 2,0%. O ritmo desacelerou diante da taxa de 3,0% vista no segundo trimestre, quando esse salto se deveu à recuperação após o desastre da Vale em Brumadinho. Do lado da produção, todos os três componentes apresentaram resultados positivos, com a Agropecuária mostrando expansão de 1,3%, recuperando-se da queda de 0,5% entre abril e junho.

 

A indústria, por sua vez, cresceu 0,8%, mostrando ligeira aceleração sobre a taxa de 0,7% no segundo trimestre. Serviços avançou 0,4% no terceiro trimestre, de 0,2% antes. O quarto trimestre deve refletir com ainda mais força os efeitos da queda da Selic —que o BC já indicou que levará a 4,5% em dezembro— e a melhora do sentimento dos investidores e empresários após a aprovação da reforma da Previdência, além da liberação do FGTS. “As perspectivas continuam sendo positivas, com a expansão do crédito livre e recuperação do mercado de trabalho sustentando a recuperação de consumo e serviços, que pode receber ajuda extra se vier aliada à retomada da indústria”, disse em nota o estrategista do modalmais Felipe Sichel.

 

Entretanto, o período vem apresentando ao mesmo tempo um cenário de contaminação no mercado por incertezas, sejam internacionais com as disputas comerciais, sejam na área política nacional, com o dólar batendo recordes históricos em valores nominais.

 

RECUOS
 

Do lado negativo no terceiro trimestre, as despesas do governo caíram 0,4% no terceiro trimestre, de recuo anterior de 0,3%, um reflexo da política fiscal mais austera do governo. Já a balança comercial mostrou forte queda de 2,8% nas Exportações de Bens e Serviços, enquanto as Importações subiram 2,9%. Os fracos resultados comerciais vêm afetando o setor externo brasileiro, com o déficit em transações correntes mostrando piora mesmo com a economia ainda não tendo decolado com força total.

 

De janeiro a outubro, o rombo em transações correntes alcançou 45,657 bilhões de dólares, crescimento de 41% sobre rombo de igual período do ano passado. O patamar já supera a última previsão que o BC havia feito para o resultado de 2019 consolidado, de 36,3 bilhões de dólares neste ano. “Apesar do crescimento do PIB no terceiro trimestre, ainda temos um consumo do governo e setor externo caindo. Houve uma desaceleração da economia global e do nosso parceiro maior na região, a Argentina. As restrições fiscais nas três esferas de governo também comprometem as despesas do setor público”, destacou Rebeca, do IBGE.

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