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BC questiona mercado sobre alta de preços sob ação inflacionária da peste suína

30/11/2019

 

O Banco Central indagou o mercado nesta sexta-feira sobre estimativas em relação ao impacto da peste suína na Ásia sobre o IPCA em 2019 e 2020. A pergunta foi incluída no questionário pré-Copom deste mês, enviado regularmente a economistas alguns dias antes da decisão sobre os juros com perguntas sobre avaliações em relação a taxa Selic, inflação, crédito, cenário externo e política fiscal, entre outros temas. Na quarta-feira, o diretor de Política Monetária do BC, Bruno Serra, disse, em evento em São Paulo, que queria dar uma “mensagem de tranquilidade” em relação ao impacto da alta recente do preço da carne no mercado doméstico sobre a inflação.

 

O diretor destacou que estava ouvindo do mercado avaliações bastante díspares sobre esse impacto. Serra associou o movimento do preço ao aumento das importações chinesas, citando a peste suína, e descartou preocupações com o que chamou de choque de oferta altista para a inflação, lembrando que os índices inflacionários estão atualmente nos menores patamares em 20 anos. “Se a gente pudesse escolher um momento bom para ter um choque desses acho que a gente escolheria exatamente este (momento)”, disse Serra durante palestra na Apimec (associação de profissionais do mercado de capitais).

 

O diretor também lembrou que, apesar de as expectativas para a inflação de 2019 terem aumentado recentemente como resultado desse choque, as projeções relevantes para a política monetária, de 2020 e 2021, não sofreram alterações. O mercado elevou a projeção para o IPCA em 2019 nas últimas quatro semanas de 3,29% para 3,46% -ainda abaixo da meta central de 4,25% para o ano. Para 2020 e 2021, as expectativas estão estáveis em 3,60% e 3,75%, segundo pesquisa Focus do Banco Central.

 

O Copom (Comitê de Política Monetária) se reunirá em 10 e 11 de dezembro, quando a expectativa é que reduza a taxa básica de juros em mais 0,5 ponto, para 4,5% ao ano. O preço da carne bovina no atacado na Grande São Paulo, principal centro consumidor do Brasil, atingiu uma máxima histórica este mês, com a forte demanda da China e uma oferta mais restrita de animais para abate, segundo informações do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

 

Com a ajuda da China, que está elevando compras para enfrentar uma redução da oferta interna de carne advinda da peste suína africana, as exportações de carne bovina in natura do Brasil atingiram máxima histórica para um único mês em outubro, com embarques de 160,1 mil toneladas.

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