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Agricultura 4.0 é a porteira para a economia verde entre desenvolvimento e meio ambiente

24/06/2019

 

O agricultor que planta até exaurir os recursos do solo virou coisa do passado. Por meio da tecnologia aliada ao respeito ao meio ambiente, o produtor consegue desenvolver o próprio solo, com aumento da produtividade. Essa é a agricultura 4.0, que promete revolucionar a economia verde.

 

Segundo o diretor do Departamento de Estruturação Produtiva do Ministério da Agricultura, Avay Miranda Junior, exemplos como esses são cada vez mais comuns e indicam um caminho para o desenvolvimento sustentável do agronegócio. Ele participou de palestra na 1ª Conferência Ministerial Regional das Américas sobre Economia Verde, que começou nesta segunda (24) e vai até quarta-feira (26), em Fortaleza.

 

De acordo com Miranda Junior, a agricultura 4.0 está centrada em três eixos: balanceamento dos minerais do solo, povoamento de micro-organismos do solo e tipo de plantação. Ele ressaltou que, nas últimas décadas, o Brasil passou de importador de tecnologias agrícolas a um dos líderes em inovação na área graças à Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e a iniciativas em centros de pesquisas e universidades.

 

“O Brasil seguiu uma trilha que passou por algumas etapas. Na primeira fase, o agricultor encarou o cerrado com tecnologias simples, como a neutralização do solo por calcário. Depois, houve a domesticação de plantas viáveis em outras regiões, como o feijão-soja, até então plantado apenas em regiões subtropicais”, explicou.

 

O diretor do Ministério da Agricultura também citou a introdução de bactérias fixadoras de nitrogênio nas culturas leguminosas. A técnica, que dispensa o uso de produtos químicos, permite a refertilização do solo por meio da plantação de culturas leguminosas (como vagem, soja, guandu e crolatária) por meio de micro-organismos presentes nas raízes dessas plantas. “Esse procedimento proporciona economia de bilhões de dólares por ano”.

 

Miranda Junior ressaltou que o uso da tecnologia estimula a preservação de áreas de florestas pelos agricultores e a redução da pobreza em áreas rurais. “A agricultura 4.0 coloca o Brasil não como consumidor do solo, mas como produtor de solo. Sistemas agroflorestais viáveis devem fazer parte de estratégias para redução da pobreza. Um sistema de integração, de rotação de cultura, fixa nitrogênio no solo e aumenta a produtividade. O agricultor moderno preocupa-se com árvores nos terrenos”.

 

Biodiesel

 

O diretor do Ministério da Agricultura citou a política brasileira de biodiesel como outro exemplo de sucesso na promoção à economia verde. No modelo em vigor há cerca de 15 anos, a Agência Nacional do Petróleo promove leilões anuais para comprar o biodiesel extraído de óleos vegetais. As empresas que vendem o combustível, no entanto, recebem incentivos fiscais para comprar o óleo produzido por agricultores familiares.

 

“Atualmente, 10% do diesel brasileiro é misturado ao biodiesel. Nossa meta é chegar a 15%. Tudo com a participação do agricultor familiar, que está preocupado com o meio ambiente”, destacou o representante do Ministério da Agricultura. Ele também disse que o Brasil tem o maior programa mundial de destinação de embalagens de agrotóxicos, que são lavadas três vezes, processadas e transformadas em dutos elétricos. “As pesquisas mostram que esses dutos elétricos não estão contaminados e são inertes aos consumidores”, explicou.

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