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Arroz: Redução do ICMS divide produtores e indústria gaúcha

16/05/2019

 

A redução do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para a venda de arroz gaúcho a outros estados deve aquecer a economia e trazer maior renda para o Estado do Rio Grande do Sul. A expectativa é do secretário de agricultura do RS, Covatti Filho, que falou durante a 6ª edição da Expoarroz, em Pelotas (RS). Porém, o processo, tanto de atendimento à demanda dos produtores, quanto de arrecadação, “deve ser demorado”.

 

O diretor executivo do Sindicado da Indústria do Arroz do Rio Grande do Sul (Sindarroz-RS), Tiago Barata, vê a proposta com preocupação. Para ele, o menor ICMS dificultaria a competição com as indústrias de fora do RS. Ele acredita, também, que as indústrias de outros estados irão comprar o arroz mais barato, forçando a indústria gaúcha a pagar menos ao produtor para conseguir competir.

 

“Essa proposta carece de discussão e é discriminatória, pois favorece apenas os interesses dos poucos grandes produtores que têm capacidade de armazenar e secar o grão em suas propriedades”, Barata disse à Agência SAFRAS que defende o que ele chama de justiça tributária, que seriam impostos adequados a iguais condições de competição, “para que a qualidade do produto seja o grande diferencial”.

 

O novo presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), Alexandre Velho, acredita que a redução da tarifa trará mais competitividade ao arroz gaúcho, pois facilitará a chegada do produto a grandes centros consumidores, como São Paulo e Minas Gerais, que normalmente importam de vizinhos do Mercosul. “Deixamos de arrecadar quando não vendemos para fora”, enfatizou.

 

O dirigente ressalta que a demanda, que é antiga por parte da Federarroz e da Farsul, não é uma ação contra a indústria gaúcha. “Nós apenas visamos um maior incentivo ao produtor durante a colheita, quando cresce a oferta e há muitas opções de financiamento”.

 

Velho disse ainda que a medida não deve trazer desabastecimento, nem tirar a competitividade da indústria local. Ele também espera, por parte do Estado, a confirmação de técnicos da área em diretorias do Instituto Riograndense do Arroz (Irga), acompanhando a manutenção de Guinter Frantz no comando da instituição. “Não queremos indicações políticas nas diretorias comercial, administrativa e técnica”, finalizou.

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