Please reload

Gás carbônico começa a ser usado em agroquímicos de liberação controlada

02/05/2019

 

A Embrapa iniciou o AgriCarbono, projeto de pesquisa que vai utilizar gás carbônico (CO2) para a produção de suportes (material para formação de cápsulas) de liberação controlada de agroquímicos.

 

De acordo com o coordenador do projeto, o pesquisador da Embrapa Agroenergia Sílvio Vaz Jr., serão desenvolvidos suportes em nanoescala para liberação controlada de moléculas de agroquímicos, que podem ser um fertilizante, um antibiótico ou um semioquímico (substância envolvida na comunicação entre seres vivos como insetos e utilizado em manejo de pragas).

 

O objetivo é, por meio da liberação controlada, aumentar a eficácia de aplicação e reduzir a poluição ambiental, inerentes ao uso dos agroquímicos convencionais. O trabalho conta com recursos da Eletrobrás Companhia de Geração Térmica de Energia Elétrica (CGTEE).

 

O projeto propõe o desenvolvimento de formulações que reunirão no mesmo produto: nanocarbonatos, obtidos a partir do gás carbônico; lignina, oriunda do processamento da indústria de papel e celulose; e o agroquímico de interesse. O nanocarbonato tem a função de adsover (fixar) os agroquímicos, enquanto que a lignina, um polímero natural presente nas plantas, é empregada como aditivo para melhorar essa adsorção.

 

No caso do fertilizante, o resultado é a liberação gradual do agroquímico aumentando sua eficiência e reduzindo perdas do produto para o meio ambiente. Parte dos fertilizantes convencionais se perde por carreamento, sublimação e outros processos, o que pode contaminar o meio ambiente.

 

As cápsulas nanométricas também servem para envolver o medicamento veterinário e o semioquímico. O nanoencapsulamento promove a liberação lenta ou controlada de ambos, o que permite maior eficácia, redução da quantidade dos princípios ativos utilizados e, consequentemente, dos impactos negativos ao meio ambiente.

 

Novas alternativas
 

Os cientistas procuram justamente alternativas aos agroquímicos convencionais e, ao mesmo tempo, dar uma finalidade nobre ao CO2 emitido por usinas termoelétricas, o que poderá ser estendido ao aproveitamento das emissões das usinas canavieiras.

 

Os agroquímicos utilizados pertencem a três grupos: semioquímico (cis-jasmone), antibiótico (oxitetraciclina) e fertilizante (o próprio nanocarbonato). A escolha dessas três moléculas tem como objetivo promover tecnologias para o desenvolvimento de uma agricultura mais sustentável. 

 

Mercado bilionário dos agroquímicos

 

Os agroquímicos movimentam um mercado mundial de U$ 54,6 bilhões, com uma contribuição brasileira de U$ 9,6 bilhões. Entretanto, suas moléculas são enquadradas em uma das principais classes de poluentes químicos. Dessa forma, é necessário que sejam desenvolvidas alternativas aos agroquímicos convencionais com tecnologias agrícolas mais sustentáveis e que permitam a abertura de novos negócios.

 

 

 

Please reload

Agroatividade 2016 - Agronegócio Ativo