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IPCA: Transportes pressionam indicador em abril e nível é o maior em 10 meses

26/04/2019

 

A prévia da inflação oficial brasileira acelerou com força em abril sob pressão dos preços de Transportes, atingindo o resultado mais alto em 10 meses e com avanço em 12 meses no maior nível em dois anos. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) teve em abril alta de 0,72 por cento, depois de subir 0,54 por cento em março, informou nesta quinta-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

 

O resultado é o mais forte desde junho do ano passado, quando chegou a 1,11 por cento impactado pela greve dos caminhoneiros. Também é a maior variação para meses de abril desde 2015 (1,07 por cento) e ficou acima da expectativa em pesquisa recente que apontou índice de 0,69 por cento. O indicador também passou a subir 4,71 por cento no acumulado em 12 meses até abril, de 4,18 por cento no mês anterior.

 

A expectativa era de avanço de 4,66 por cento. Assim, chega ao maior patamar desde março de 2017 (4,73 por cento) e supera a meta oficial de inflação do governo para 2019 —4,25 por cento pelo IPCA, com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou menos. A maior influência para o IPCA-15 de abril partiu dos preços de Transportes, que subiram 1,31 por cento em abril e registraram a maior variação no mês, além do maior impacto sobre o índice, de 0,24 ponto percentual.

 

A alta de 3 por cento dos combustíveis foi o principal motivo para o impacto, com destaque para o aumento de 3,22 por cento nos preços da gasolina.Alimentação e Bebidas, com importante peso sobre o bolso do consumidor, teve alta de 0,92 por cento, mas mostrou desaceleração sobre a taxa de 1,28 por cento vista em março. O grupo Saúde e Cuidados Pessoais apresentou avanço de 1,13 por cento, e juntos esses três grupos responderam por cerca de 85 por cento do IPCA-15 de abril.

 

De acordo com o Banco Central, a inflação acumulada em 12 meses atingiria um pico em torno de abril ou maio, para depois recuar para patamar abaixo do centro da meta deste ano.Ainda assim, as perspectivas para a inflação são confortáveis, diante de uma economia que ainda se arrasta e do alto nível do desemprego, porém a fraqueza da atividade já levanta questionamentos sobre o futuro da taxa básica de juros Selic.

 

A pesquisa Focus realizada pelo BC mostra que a expectativa é de que a Selic permaneça em 6,5 por cento até o final deste ano. Os economistas consultados no levantamento estimam que a inflação terminará este ano a 4,01, e a 4,00 por cento em 2020.

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