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Interferência no preço do diesel coloca em xeque venda das refinarias

13/04/2019

 

O movimento da Petrobras de cancelar alta programada para o diesel após pressão do governo pode colocar em risco os planos do atual presidente da empresa, Roberto Castello Branco, de vender uma parcela significativa das refinarias, na avaliação de analistas e agentes do mercado.

 

A empresa havia programado para esta sexta-feira uma alta de 5,7 por cento, após ter mantido o preço no mesmo patamar desde 22 de março. No entanto, recuou após uma ligação de Jair Bolsonaro para o principal executivo da estatal, na qual o presidente manifestou preocupação com o impacto do aumento para os caminhoneiros.

 

O diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), Adriano Pires, afirmou que lamenta as notícias, citando que elas vêm após o governo ter prometido que a Petrobras teria independência para praticar preços e que eles estariam atrelados aos valores internacionais.“Compromete, na minha opinião, o plano de venda de refinarias. Como você vai comprar refinarias no Brasil em um país onde a todo momento tem interferência?”, questionou Pires.

 

O mercado conta com a venda das refinarias para atrair mais competição para o setor, ampliar a capacidade de refino e também para reduzir o poder do governo nos preços dos derivados do petróleo. O desinvestimento também poderia render bilhões à Petrobras.O episódio envolvendo Bolsonaro ainda pode reacender um debate dentro do conselho de administração da Petrobras sobre a venda ou não das refinarias.

 

O representante de conselheiros minoritários no conselho da Petrobras, Marcelo Mesquista, afirmou à Folha de S.Paulo que esse caso deveria reforçar a pressão da sociedade por privatização da área de refino e da própria Petrobras, já que assim a política de preços não sofreria interferência de governos.

 

O representante dos funcionários no colegiado, Danilo Silva, por sua vez, rebateu a fala de Mesquita em entrevista, dizendo que “isso mostra a importância da Petrobras como instrumento público e que o povo brasileiro tem de fazer o contrário, tem que pressionar para que ela se torne uma empresa 100 por cento estatal”.

 

“Imagine se o mercado de combustíveis estivesse nas mãos de uma chinesa ou de uma francesa, se elas teriam alguma sensibilidade em relação à greve dos caminhoneiros”, disse. Silva, no entanto, frisou que a utilização da empresa como instrumento de política pública precisa ser feita de forma transparente, sem sobressaltos para mercado, sociedade e gestão da empresa, “para que não se repita o erro da política de preços” do governo de Dilma Rousseff. 

 

Questionamento

 

O presidente Jair Bolsonaro questionou o reajuste de 5,7% no preço do óleo diesel anunciado ontem (11) pela Petrobras. Bolsonaro disse que conversará com a direção da empresa para conhecer melhor a composição de custos do combustível no país. Ele negou qualquer tipo de intervenção do governo na estatal. A petroleira adiou o aumento.

 

"Eu não vou ser intervencionista, não vou praticar a política que fizeram no passado, mas eu quero os números da Petrobras. Tanto é que na terça-feira convoquei todas da Petrobras para me esclarecer porque 5,7% de reajuste, quando a inflação projetada para este ano está abaixo de cinco. Só isso, mais nada. Se me convencerem, tudo bem. Se não me convencerem, nós vamos dar a resposta adequada para vocês", afirmou em entrevista a jornalistas logo após inaugurar o novo terminal internacional do Aeroporto de Macapá.

 

 

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