Please reload

Fórum debate estratégias que podem auxiliar na redução no uso de agroquímicos

07/12/2018

 

“As abelhas podem contribuir com o aumento da produtividade nas lavouras de soja”, esse foi um dos resultados da pesquisa apresentada na palestra de abertura do Fórum Douradense - Manejo de Pragas: gargalos e ações para o seu incremento. A declaração foi feita pelo pesquisador da Embrapa Soja, Décio Luiz Gazzoni, que falou sobre Soja e as Abelhas.

 

O pesquisador explicou que existe um processo de ganha-ganha no cultivo de abelhas junto com as lavouras de soja, onde ganha o apicultor, que produz mais mel; bem como o agricultor, que produz mais soja.

 

Segundo ele, para o sucesso da atividade de forma conjunta é preciso redesenhar esse agroecossistema, por meio de investimentos em boas práticas agrícolas e apícolas, além de uso de Manejo Integrado de Pragas (MIP), entre outros tecnologias, que poderão proporcionar grandes avanços nesse processo de produção integrada.

 

O presidente da Associação de Produtores de Mel de Dourados (Promel), que também é engenheiro agrônomo, produtor rural e apicultor há cerca de 28 anos, José Renato Cavalheiro, salienta os benefícios mútuos de trabalhar com as duas atividades de forma simultânea. Segundo ele, é possível produzir mel de qualidade com a cultura da soja e aumentar a produtividade das lavouras.

 

“É visível o aumento na produção de grãos. Porém, o sucesso nas duas atividades simultâneas exige conhecimento técnico e adequação das culturas e práticas agrícolas. O repasse de informações é fundamental para o êxito de ambas atividades, dessa forma o apicultor não corre o risco de perder seus enxames de abelhas e, consequentemente, suas colmeias. É possível consorciar e trabalhar as duas atividades sem danos a nenhuma delas”, destaca ele. Ele informou ainda que atualmente, existem 18 associados na Promel. 

 

Sobre o Fórum - O procurador da República no município de Dourados, Marco Antônio Delfino de Almeida, salientou que o Fórum Douradense é um oportunidade para debates e trocas de informações para busca de soluções conjuntas. “Conciliar interesses em prol da produção agrícola pujante e em consonância com outras atividades rurais, tais como: apicultura, aquicultura, sericicultura, orgânicos, entre outras, é um dos alvos desse evento, especialmente proporcionando ganhos tanto para os produtores quanto para o meio ambiente”, concluiu o procurador.

 

O chefe geral da Embrapa Agropecuária Oeste, Guilherme Lafourcade Asmus, destacou a relevância da agricultura que é o carro chefe da nação brasileira e acrescentou que “o MIP é um dos caminhos que podem contribuir com a sustentabilidade dos sistemas produtivos que buscam a excelência dos processos, minimizando possíveis impactos negativos”.

 

Para o engenheiro agrônomo da Secretaria Municipal de Agricultura Familiar da Prefeitura Municipal de Dourados, Marcelo Tibúrcio Rezende, o evento foi bastante eficiente, reunindo informações relevantes e salutares sobre os sistemas produtivos.

 

“O ponto forte do evento foi a sincronia entre os assuntos tratados, onde uma palestra foi complementando a outra e que trouxeram esclarecimentos importantes. Além disso, a heterogeneidade do público possibilitou a pulverização das informações para diferentes segmentos do setor agropecuário”, destaca Rezende. 

 

Avanços do Plano Estadual - O professor da UFGD, Fabricio Fagundes Pereira, apresentou detalhes do Plano Estadual de Controle Biológico. Ele destacou as urgências para o avanço do Plano, dentre elas: a necessidade do comitê executivo do plano de realizar reuniões mensais, buscar apoio junto ao Governo do Estado, parcerias com empresas e produtores, incentivo a instalação de biofábricas no MS, além de campanhas demonstrando a importância do monitoramento de pragas e do reconhecimento do papel dos agentes de controle biológico e polinizadores.

 

“É preciso compreender que os agentes biológicos estão prestando um serviço para o equilíbrio natural do agroecossistema”, explicou Pereira. Segundo ele, um dos frutos do Plano Estadual de Controle Biológico é que o Mato Grosso do Sul já dispõe de tecnologia para monitorar a população de percevejos nas lavouras de soja, denominado Patrulha Percevejo.

 

Pereira falou ainda sobre os desafios para adoção do controle biológico, tais como: tempo de prateleira dos inimigos naturais, sincronismo com o surgimento da praga, a especifidade da fase da praga, impactos endafoclimáticos, fortalecimento do MIP e do monitoramento, importância de instalação de empresas nessa área, escala de produção de produtos biológicos e de suas armadilhas.

 

“As mudanças necessárias passam por uma visão sistemática do agroecossistema, que demanda monitoramento ao longo de todo o ano e prevenção. Conhecimento, monitoramento e planejamento são palavras chaves para os produtores interessados em adotar o MIP e obter sucesso no seu uso. Outro ponto desafiador é que não se pode ter uma visão pontual do negócio, somente da sua propriedade, é preciso unificar a região como um todo, fomentando o uso da mesma tecnologia de controle biológico, inclusive contando com um sistema de alerta que evite que o problema se espalhe”, destacou. 

 

Em sua apresentação, o professor ressaltou ainda que o MIP pode ser utilizado em diversos segmentos produtivos, como: sucroalcooleiro, florestal, produção de grãos soja e milho, cultura do algodão e setor pecuário. “As soluções estão disponíveis para serem incorporadas pelo sistema produtivo”, concluiu. 

Please reload

Agroatividade 2016 - Agronegócio Ativo