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Doenças impedem crescimento da produção nacional de camarões

20/09/2018

 

Doenças altamente letais e contagiosas têm prejudicado fortemente a expansão da produção de camarões (carcinicultura) no Brasil. Mas com o manejo adequado é possível manter a lucratividade do negócio.

 

Para abordar essas técnicas, a pesquisadora da Embrapa Meio Norte Alitiene Moura Lemos Pereira apresentou o tema “Convivendo com as Enfermidades da Carcinicultura no Brasil”, na última quarta-feira (19), durante o AquaCiência 2018, em Natal (RN). O congresso, que reúne alguns dos maiores especialistas em aquicultura do país, permanece no Centro de Convenções até sexta-feira (21).

São cinco tipos de vírus presentes no país, sobretudo no Nordeste, nos principais polos produtores. Um dos mais letais é o Wssv, que provoca a mancha branca no camarão. Detectado pela primeira vez na Ásia em 1993, dois anos depois já atingia os Estados Unidos e logo chegou à América do Sul.

A doença aniquilou a produção do crustáceo no Ceará em 2017. Em seis meses, 30 mil toneladas de camarão foram perdidas; o equivalente a 60% da produção do período. Além do Ceará, ela tem afetado criações de camarão no Rio Grande do Norte, em Sergipe, no Piauí, na Paraíba, em Pernambuco e na Bahia.

 

Nem Santa Catarina escapou do terrível vírus, que atinge a fase inicial de desenvolvimento dos camarões, causando sua calcificação. Como consequência, os crustáceos morrem e contaminam todo viveiro, o que gera sérios prejuízos ao produtor.

Segundo Alitiene, as doenças têm sido consideradas como um forte fator de restrição ao crescimento, expansão e intensificação da aquicultura no Brasil. “O conhecimento dos problemas sanitários e seus riscos associados fornece subsídios para minimizar seus efeitos e continuar com a atividade de forma sustentável e lucrativa”, destaca ela, lembrando que em ambientes endêmicos com patógenos altamente contagiosos e mortais é necessário mais investimentos financeiros, conhecimento técnico, uso de aditivos e a execução de boas práticas.

Por meio da aplicação de normas e procedimentos adequados, é possível atuar na prevenção de doenças infecciosas do crustáceo. “É quando o produtor deve fazer um ambiente isolado, onde a doença não entra”, diz ela. Solo coberto com lona, cobertura dos tanques e água esterilizada são alguns dos recursos utilizados. “Assim você consegue evitar a entrada de doenças mesmo se a propriedade estiver em local contaminado”, ressalta ela.

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