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Pesquisadores mobilizam ações para conter avanço da brusone do trigo no mundo

03/07/2018

 

A brusone é uma das principais doenças de impacto econômico no trigo. O  agente causal é o fungo daMagnaporthe oryzae que, quando ataca a ráquis da espiga, resulta em grãos deformados e com baixo peso específico, o que implica em redução no rendimento das culturas. 

 

Até pouco tempo, os relatos de ocorrência da brusone no trigo estavam restritos a eventuais epidemias em áreas tropicais bem definidas no Brasil, Bolívia e Paraguai. Entretanto, em 2016 a doença foi registrada em lavouras de trigo em Bangladesh, no Sul da Ásia, continente com o maior consumo mundial de cereais, chamando a atenção da ameaça global que a brusone representa. Vale lembrar que a maioria das variedade de trigo em cultivo no mundo são suscetíveis à brusone, e os fungicidas disponíveis são ineficientes quando a intensidade da doença é elevada.

 

Apesar de, ainda, não representar risco para os países produtores de trigo no hemisfério norte (o clima não favorece a sobrevivência do fungo causador da brusone nas condições atuais, sem considerar mudanças climáticas e possíveis mutações do fungo), os principais centros de pesquisa com cereais estão alertas à disseminação da doença no mundo, o que pode comprometer a segurança alimentar, principalmente nos países pobres da Ásia e África. 

 

Nos últimos cinco anos, um grupo de pesquisa financiado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) investiu 5 milhões de dólares em estudos para controle da brusone no trigo e no arroz.

 

Um dos mais importantes resultados do trabalho, coordenado pela pesquisadora Barbara Valent, da Universidade do Estado do Kansas (KSU), foi a identificação do segmento de DNA chamado de 2NS como fator genético responsável pela resistência à brusone no trigo. Um avanço na pesquisa mundial que conduz para uma nova fase de trabalhos no projeto que está em construção, contando com o expertise de pesquisadores do Brasil, Bolívia, Paraguai, México e Bangladesh.

 

O projeto tem como objetivos gerar novas soluções em monitoramento e biotecnologia para combater a brusone, com ações que buscam desenvolver germoplasma resistente, criar sistemas de alerta de epidemias em tempo real e difundir estratégias de manejo no uso de fungicidas para controle da doença.

 

O pesquisador da Embrapa Trigo João Leodato Nunes Maciel trabalhou no grupo da KSU, em Kansas, durante o ano de 2016. Ele destaca o desafio de controlar a brusone, devido ao grande número de hospedeiros e a grande capacidade de adaptação do fungo: “O fungo causador da brusone pode atacar mais de 50 espécies de gramíneas, além de sobreviver em restos culturais, sementes e plantas voluntárias”, explica o pesquisador, destacando que o fungo também pode ser disseminado pelo vento, aumentando a área de abrangência das epidemias.

 

“Difícil esclarecer a chegada da brusone na Ásia, já que o deslocamento da América pode ter sido causado por uma série de fatores, como a exportação de grãos e sementes contaminados, amostras de plantas hospedeiras ou mesmo o vento”, conclui Maciel.

 

De acordo com a pesquisadora da KSU, Barbara Valent, a expectativa é que a aprovação de um novo projeto possa contemplar fatores globais, como riscos e conhecimentos em cada ambiente de cultivo: “Junto com colaboradores internacionais, buscaremos entender a variabilidade dos patógenos, os principais hospedeiros e os aspectos meteorológicos, temporais e espaciais das epidemias de brusone”.

 

Iniciativa brasileira 

 

Um dos resultados do projeto de combate à brusone do trigo tem como base o trabalho desenvolvido por pesquisadores brasileiros e será apresentado pela primeira vez na Reunião. A parceria da Universidade de Passo Fundo, Embrapa Trigo e Universidade do Kansas resultou no aplicativo “Pic-a-Wheat Field” (“fotografe um campo de trigo”, na livre tradução), desenvolvido com o objetivo de incentivar a vigilância das lavouras e formar um banco de dados com o registro das epidemias no mundo.

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