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Sinal Verde próximo para Brasil começar exportar carne in natura para mercado mexicano

07/12/2017

 

Os brasileiros estão mais perto de conseguir exportar carne bovina e suína in natura para o mercado mexicano. A barreira usada até agora – a alegação de que o Brasil não pode garantir que os rebanhos estejam livres da febre aftosa – pode ser contornada. E, além da carne, há espaço para ampliar exportações de milho, cosméticos, automóveis, entre outros produtos, sem que o importador mexicano pague tarifas alfandegárias.

 

O sinal verde está sendo dado por empresários mexicanos que assessoram o governo do presidente Enrique Peña Nieto nas negociações com o Brasil. E eles têm pressa. Estão propondo que as conversas sejam encerradas no primeiro trimestre de 2018, antes que as campanhas para eleger novos presidentes nos dois países estejam a todo vapor. O México tem eleições em julho e o Brasil, em outubro. O risco de se politizar acordos comerciais é considerável.

 

A médio prazo, a maior abertura a produtos brasileiros tem a ver com a constatação de que o México precisa diversificar fornecedores e compradores, reduzindo a dependência dos Estados Unidos. Uma parte dos empresários mexicanos, não a maioria, ainda teme que o acordo de livre comércio com EUA e Canadá, o Nafta, seja destruído pelo presidente Donald Trump. O Nafta deve sobreviver, ainda que modificado, mas as ameaças de Trump estão fazendo com que as empresas mexicanas busquem outras alternativas.

 

É nesse contexto que Brasil e México podem ampliar o intercâmbio comercial. Neste ano, até outubro, foi de US$ 7,1 bilhões, 18% maior do que o mesmo período do ano passado. “Estamos interessados em abrir nosso mercado ao Brasil”, diz Rafael Nava Uribe, presidente da seção para a América do Sul do Comce, associação mexicana que reúne 2 mil empresas exportadoras e importadoras.

 

O diretor-geral do Comce, Fernando Ruiz Huarte, também bate na tecla de que é preciso diversificar as relações comerciais. “Não é saudável vender 80% de nossos produtos em um só mercado”, diz ele, referindo-se aos EUA. O milho é um exemplo da dependência americana. O México compra dos EUA 98% do milho que consome. O vice-ministro de Economia do México, Juan Carlos Baker, disse recentemente ao jornal britânico Financial Times” que estava considerando a possibilidade de abrir o mercado para o milho do Brasil e da Argentina.

 

A safra de milho nos dois países foi grande neste ano, o que ajudou a elevar a venda aos mexicanos em 11%, até setembro, em relação a 2016. O volume é pequeno em relação ao vendido pelos EUA. Enquanto os americanos exportaram 10,5 milhões de toneladas aos mexicanos em setembro, o Brasil vendeu 100,8 mil toneladas.

 

“Os empresários mexicanos estão abrindo os olhos para o Brasil e o Brasil está em um momento favorável”, diz João Marcelo Galvão de Queiroz, ministro-chefe da Embaixada do Brasil no México, referindo-se à safra de grãos deste ano. O diplomata lamenta que o Brasil ainda não esteja exportando carne in natura, uma demanda brasileira que já dura cerca de dez anos.

 

Nava, do Comce, vê dois caminhos para a carne brasileira no México. Um seria replicar o modelo aplicado à carne uruguaia. “O Uruguai não está totalmente livre de aftosa, mas compramos deles. O que fazemos é ter fiscais nossos lá, que liberam a carne”. Segundo ele, isso encarece a carne, mas é um jeito de entrar no mercado mexicano, dominado pela carne dos EUA.

 

A outra alternativa é usar o instrumento de “reconhecimento mútuo”, ou seja, o Brasil aceitaria a carne mexicana e vice-versa. “Mesmo que o México não exporte carne ao Brasil, e não deverá exportar, seria uma forma de comprarmos carne do Brasil”, diz Nava.

 

O Brasil já é um grande exportador de carne de frango, in natura congelada, ao mercado mexicano. Mas a exportação está limitada a uma cota, sob pressão dos produtores locais. “O Brasil ocupa quase 100% da cota. É um mercado novo, que não existia há quatro anos”, diz Queiroz. Essa cota, também aberta a outros países, expira neste mês e não se sabe o que o governo mexicano vai fazer.

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