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Agronegócio detecta aumento de resistência de pragas agrícolas pelo uso de agroquímicos

18/10/2017

 

O aumento da resistência a inseticidas tem dificultado o controle de pragas agrícolas em diferentes partes no mundo. Um dos motivos para o aumento é o uso indiscriminado desses próprios agroquímicos nas lavouras.

 

Segundo especialistas, o Brasil tem sido muito ameaçado por esse problema que, se não for controlado, pode afetar a produtividade do setor. A fim de evitar que o aumento da resistência de pragas agrícolas no país atinja um limite a partir do qual não será mais possível controlá-lo, é preciso implementar, com urgência, um plano de manejo integrado de pragas, apontaram pesquisadores participantes do Workshop FAPESP-BBSRC Antimicrobial Resistance (AMR) and Insect Pest Resistance in Agriculture, realizado nos dias 5 e 6 de outubro, em São Paulo (SP).

 

Organizado pela FAPESP em parceria com o Biotechnology and Biological Sciences Research Council (BBSRC) – um dos Conselhos de Pesquisa do Reino Unido (RCUK) –, um dos objetivos do evento foi discutir avanços na pesquisa para controlar a resistência antimicrobiana e de pragas a inseticidas na agricultura. Durante o evento também foi lançada uma nova chamada de propostas pela FAPESP em parceria com o BBSRC para apoiar pesquisas nessas áreas.

 

“O fator determinante da evolução da resistência de uma praga a um inseticida é a pressão de seleção, ou seja, o uso contínuo de um mesmo produto sem a implementação efetiva de estratégias de manejo de resistência”, disse Celso Omoto, professor da Escola de Agricultura “Luiz de Queiroz” da Universidade de São Paulo (Esalq-USP), à Agência FAPESP.

 

“Isso faz com que aumente a proporção de indivíduos resistentes no campo que, ao se reproduzirem, transmitem os genes responsáveis pela resistência aos seus descendentes e, gradativamente, a população dessa praga passa a não ser controlada eficientemente com o inseticida”, explicou.

 

Esse problema é ainda mais grave em países de agricultura tropical, como é o caso do Brasil, que possibilita o cultivo de culturas como milho, soja e algodão o ano inteiro. Com isso, o uso de inseticidas para combater pragas agrícolas no país é intensificado e o problema da resistência desses insetos a esses produtos é muito mais rápido.

 

“Para realizar o manejo de resistência é preciso implementar o que chamamos de Manejo Integrado de Pragas, ou MIP. O I da sigla se refere à integração de diferentes táticas de controle, mas, no Brasil, as pessoas acham que é I de inseticida e fazem por comodidade manejo de pragas apenas com inseticidas”, disse Omoto. De acordo com dados de pesquisadores da área, nos últimos 12 anos, a utilização de agroquímicos no Brasil aumentou 172%, enquanto no resto do mundo o crescimento foi de 90%.

 

Uma das formas de reduzir o uso de inseticida nas lavouras do país e, consequentemente, diminuir a resistência das pragas a esses produtos, seria usar de forma racional variedades transgênicas de culturas que expressam proteínas com ação inseticida obtidas da bactéria Bacillus thuringiensis (Bt).

 

Com a redução do uso de inseticidas pelo uso dessas culturas geneticamente modificadas para controlar pragas seria possível assegurar a sobrevivência de inimigos naturais desses insetos nas lavouras, que é o controle natural, explicou Omoto.

 

“A Austrália implantou um programa de MIP que é um exemplo mundial. O programa possibilitou diminuir a aplicação de inseticida e permitiu a sobrevivência de inimigos naturais de pragas agrícolas nas lavouras por meio do uso racional da tecnologia Bt para a cultura do algodão, integrada a outras estratégias de manejo de pragas. No Brasil isso também é possível. Só que, para isso, é preciso também fazer uso das tecnologias Bt disponíveis de forma adequada”, disse.

 

Ao usar culturas transgênicas resistentes a insetos sem tomar outras medidas para a gestão integrada de pragas, tais como o uso de áreas de refúgio na lavoura, o risco de evolução de resistência é alto, pois a planta transgênica expressa a proteína inseticida Bt continuamente. Dessa forma, a pressão de seleção é bastante alta. “Nas áreas refúgio são cultivadas plantas não Bt para produzirem indivíduos suscetíveis à tecnologia Bt. Ao cruzá-los com os indivíduos resistentes é possível quebrar a resistência dos insetos-praga a essas proteínas com ação inseticida”, disse Omoto.

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