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Emendas parlamentares possibilitam ampliação de pesquisas com erva-mate



Na quinta-feira (01), em reunião do Conselho Gestor da Erva-mate do Vale do Iguaçu (Cogemate), o deputado estadual Hussein Bakri anunciou a destinação de emendas parlamentares para pesquisas com erva-mate. Dois estudos vão focar no controle de pragas importantes para a cultura: a Embrapa Florestas vai pesquisar lagartas que atacam os ervais e a Unioeste vai pesquisar a ampola-da-erva-mate. A terceira pesquisa que vai receber recursos é do campus de União da Vitória do Instituto Federal do Paraná, que pretende estudar a composição química da erva-mate da região, em especial a do tipo sombreado. Estão previstos R$ 609 mil para as três pesquisas.


Programa de pesquisa


As lagartas desfolhadoras da erva-mate têm preocupado o setor ervateiro pelos danos causados à cultura. As espécies Thelosia camina, conhecida popularmente como "lagarta-da-erva-mate", e Hylesia sp., chamada de lagarta-do-cartucho-da-erva-mate, são altamente vorazes e se alimentam tanto de brotações como de folhas mais velhas.


Atualmente, a recomendação para o controle das lagartas está baseada em medidas culturais ou mecânicas, como a coleta dos adultos com armadilhas e eliminação de folhas contendo posturas. Entretanto, essas medidas não são suficientes para controlar a população dessas pragas. O uso de inseticidas químicos, além de não ter registro para uso em erva-mate, pode apresentar desvantagens como alterações ambientais, desenvolvimento de resistência e elevação do grau de pragas para algumas espécies que eram consideradas inócuas. A inexistência de produtos testados e registrados para a cultura dificulta ainda uma avaliação da eficácia desses produtos a campo.


Assim, o uso de inseticidas biológicos surge como opção para os ervais. Já foram identificados produtos biológicos à base de Bacillus thuringiensis que apresentam potencial para uso no controle das lagartas desfolhadoras da erva-mate. Porém, nenhum deles apresenta registro junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para a erva-mate, o que torna seu uso ilegal para esta cultura.


Com os recursos previstos pelas emendas parlamentares, a equipe de pesquisadores da Embrapa Florestas vai, em um primeiro momento, articular a realização de testes destes produtos já existentes à base de Bacillus thuringiensis, que hoje são utilizados em várias culturas, como soja, trigo, algodão, cana-de-açúcar, milho, entre outras, para comprovar a sua eficácia nos ervais. Com os resultados, será possível o segundo passo, que é viabilizar a “extensão de uso” para a cultura da erva-mate junto ao Mapa.


A pesquisadora Susete Chiarelllo Penteado, responsável pela condução dos trabalhos na Embrapa Florestas, explica: “já foram identificados produtos biológicos que podem trazer bons resultados no controle das lagartas, além de beneficiar aspectos sociais, ambientais e produtivos da cadeia ervateira. Na sequência, a Embrapa Florestas irá trabalhar junto aos produtores e extensionistas para capacitá-los sobre a correta utilização do produto biológico, garantindo, assim, a sua eficácia”.


Controle biológico


Os produtos à base de Bacillus thuringiensis são inseticidas biológicos que atuam por ingestão, causando a ruptura na membrana do sistema digestivo das lagartas de lepidópteros. Algumas horas após a ingestão do produto, as lagartas cessam a atividade de alimentação e sua morte ocorre após 24 a 48 horas. Devido à ação por ingestão, é de fundamental importância que a tecnologia de aplicação permita uma boa cobertura de toda a planta. Para uma maior eficiência, também é necessário sincronizar a aplicação com o momento de máxima atividade e suscetibilidade das lagartas, que ocorre nos primeiros estágios larvais.