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ABPA: Acordo China-EUA não deve afetar exportações brasileiras de carne suína


O presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Francisco Turra, acredita que as exportações de carne suína do país à China não devem ser prejudicadas caso os Estados Unidos confirmem um aumento nos embarques do produto para os asiáticos através de um acordo comercial que está sendo negociado há meses.


“Por conta dos problemas que os chineses vêm enfrentando com o surto de peste suína africana, a demanda pelo produto é muito superior ao volume que poderia ser ofertado não apenas pelos Estados Unidos, mas por outros países pertencentes à União Europeia e pelo Canadá”, disse, em entrevista à Agência Safras.


Turra afirma que os chineses produzem cerca de 54 milhões de toneladas de carne suína, bem à frente do Brasil, cuja produção ficou em 3,63 milhões de toneladas no ano passado, de acordo com dados da Associação. “Não acredito que o Brasil possa ser prejudicado com os desdobramentos desse acordo comercial. Como a demanda chinesa é crescente, entendo que o Brasil poderia ser favorecido com uma ampliação dos embarques ainda maiores a esse destino”, comenta.


O presidente da ABPA sinaliza que, pelo fato de o Brasil estar buscando abrir novos mercados à carne suína, como o México, além de ampliar os embarques a outros mercados já conquistados, como a Coreia do Sul, o país não teria disponibilidade para ofertar grandes volumes aos chineses.


“Talvez o Brasil pudesse conseguir exportar um milhão de toneladas de carne suína. Esse volume é bem superior ao que o Brasil já conseguiu embarcar, algo em torno de 620 mil toneladas”, disse. No ano passado, conforme dados da entidade, o país exportou 549 mil toneladas de carne suína.


Turra acredita, inclusive, que o Brasil terá condições de ampliar o número de frigoríficos suínos aptos a exportar ao mercado chinês a partir da missão que o Ministério da Agricultura pretende realizar naquele país em maio.


Segundo a ABPA, o Brasil tem hoje 9 frigoríficos de suínos habilitados a exportar a China. Em 2018, os embarques de carne suína do Brasil à China totalizaram 154,5 mil toneladas, um crescimento de 216% frente ao ano anterior. Na mesma comparação, as receitas tiveram um incremento de 2.014%), atingindo US$ 306 milhões no ano passado.


Turra está bastante otimista quanto a um bom desempenho para o setor de carne suína em 2019. “Acredito que o ano de 2019 será muito tranquilo para o Brasil em termos de exportação de carne suína, com um ano muito bom também para o produtor”, sinaliza.


A respeito da questão cambial, Turra comenta que o setor espera trabalhar com uma maior estabilidade. “Embora o câmbio tenha ajudado nas exportações nos últimos meses, a instabilidade verificada recentemente não é positiva e dificulta os negócios, tanto para quem exporta como para quem importa”, conclui.

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