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Soja: Cia agrícola vê tendência de alta para preço com plantio menor nos EUA


A tendência para os preços da soja no mercado internacional é altista, a despeito de um potencial acordo comercial entre Estados Unidos e China, dada a perspectiva de menor plantio por produtores norte-americanos em 2019, afirmou nesta quinta-feira o diretor-presidente da SLC Agrícola Aurélio Pavinato. As duas maiores economias do mundo estão às turras desde meados do ano passado, quando Pequim taxou diversas importações dos EUA, incluindo a soja.


Nos últimos meses, os países vêm trabalhando em um acordo para pôr fim à disputa, e as cotações da oleaginosa na Bolsa de Chicago Sc1 já refletem isso.Atualmente, o valor da commodity na CBOT oscila perto de 9 dólares por bushel, cerca de 1 dólar acima do patamar de julho do ano passado, logo após a China taxar o produto dos EUA, embora ainda aquém dos 10,5 dólares por bushel registrados antes do acirramento da guerra comercial.“Esse preço baixo da soja nos EUA está desestimulando o plantio nesta safra.


O produtor vai plantar menos soja e mais milho, isso já se reflete no mercado. Ano que vem não será tão grande a oferta (de soja)”, afirmou Pavinato em teleconferência com analistas e investidores sobre os resultados financeiros da SLC, que produz commodities como soja, milho e algodão.Os norte-americanos darão início à semeadura da temporada deste ano entre abril e maio e, segundo dados do Departamento de Agricultura do país (USDA), serão 85 milhões de hectares com a cultura, contra 89,2 milhões em 2018.


Conforme Pavinato, as cotações futuras para a soja na Bolsa de Chicago mostram que o mercado já enxerga um corte de produção à frente. O contrato para novembro Sc6, que projeta a nova safra, está em 9,3 dólares por bushel, enquanto que o de julho de 2020 Sc10 sinaliza 9,6 dólares.


ACORDO


Apesar do que mostram as cotações futuras da soja, um acordo entre EUA e China seria determinante para o produtor brasileiro em um horizonte próximo, à medida que ele se encaminha para o final da colheita do ciclo vigente.


“Se não se chegar a um acordo (comercial), aí volta a taxação, volta a ter mais demanda pela soja brasileira. E aumenta o ‘basis’ do Brasil... Chegando-se a um acordo, vai ter oferta muito grande no curto prazo de soja americana. Com isso poderá acontecer uma mudança da soja em Chicago e ter pequena redução de preço”, disse Pavinato, ponderando que isso seria momentâneo, seguido por uma recuperação de valores em meio ao mencionado plantio menor.


Ele disse apostar em um acordo “ao menos na questão do agronegócio” entre as duas potências econômicas, o que daria sustentação também aos preços do algodão. “A guerra comercial entre EUA e China cria insegurança no mercado global... Isso fez com que houvesse retração em toda indústria mundial. Isso provocou redução temporária de preço... Os fundamentos não eram para redução de preços, mas essa questão política provocou essa redução momentânea”, afirmou, destacando que o atual nível de preço na ICE, em torno de 75 centavos de dólar por libra-peso, é “adequado”.


Para Pavinato, a produção brasileira de algodão “é grande, mas não para alterar a dinâmica do mercado mundial”.E no que diz respeito ao milho, uma vez que a China não é grande importadora, a disputa comercial acaba não afetando muito os preços, avaliou.“Por isso que não estamos pessimistas com preços no próximo ano... Tanto para milho, quanto para soja, quanto para algodão.”

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