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Projeto Biomas dá resposta eficiente e barata para produtor recuperar passivos ambientais


Recuperar os passivos ambientais na propriedade gastando pouco e ainda ter retorno econômico é o que anima o produtor rural Cláudio Malinski no Projeto Biomas. A iniciativa é uma parceria da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) iniciada em 2010 para apresentar aos produtores rurais modelos de uso da árvore com fins econômicos e ambientais nos seis biomas brasileiros. O produtor e um grupo de técnicos e pesquisadores da CNA, Embrapa, Icmbio, Adasa, Serviço Florestal Brasileiro e Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Rurais (Conafer) participaram esta semana do dia de campo que encerrou o 5º Workshop do projeto. A visita aconteceu na Fazenda Entre Rios, propriedade usada como unidade experimental do Bioma Cerrado, a 60 quilômetros de Brasília. “O projeto vai trazer muitas informações sobre o método que nós poderemos usar para fazer a recuperação de APP e Reserva Legal. Vai nos dar opções que vão desde cercar a área e deixar que a natureza se recomponha naturalmente até a distribuição de sementes ou plantio de mudas para fazermos essa recuperação gastando o mínimo possível”, afirmou Malinski. A iniciativa começou em 2010 e está na fase final das pesquisas. O workshop reuniu os pesquisadores para apresentação dos resultados alcançados até agora no projeto no Bioma Cerrado. “Os pesquisadores apresentaram os resultados obtidos e o que pode ser feito para aprimorar esses resultados para que sejam replicados e utilizados por outros produtores”, disse Cláudia Rabello, coordenadora executiva do Projeto Biomas na CNA. São 70 hectares destinados à pesquisa na propriedade. O grupo visitou seis dos 12 projetos desenvolvidos e conheceu, por exemplo, como recuperar áreas usando o sistema de semeadura direta, o consórcio de árvores exóticas e nativas, inclusive com uso de maquinário, e testes com técnicas mais econômicas. "Quando o produtor quer apenas recuperar para estar em dia com a legislação, indicamos métodos de baixo custo como a semeadura direta de sementes, porque o plantio de árvores, em geral, não faz parte das atividades da fazenda”, explicou Daniel Vieira, pesquisador da Embrapa Cenargen. Segundo Vieira, o produtor pode comprar todos os insumos e contratar técnicos, inclusive criando um viveiro simples na propriedade. Ele mesmo pode coletar as sementes e plantar as mudas, reduzindo assim os custos. “Com estas estratégias é possível fazer a recomposição investindo cerca de R$ 6 mil por hectare.” Em uma das áreas visitadas, foi possível conhecer outros sistemas de uso alternativo do solo, onde podem ser usados monocultivo de espécie nativas e exóticas ou mesmo apenas nativas, com foco na produção de frutos e madeira. Felipe Ribeiro, coordenador do componente Cerrado no Projeto Biomas, lembrou que o produtor tem 20 anos para recompor as áreas de reserva legal e preservação permanente e que os resultados do projeto serão um legado para toda a sociedade. “O projeto está produzindo conhecimento científico e deixando disponível para a sociedade. Esse é o valor da parceria entre Embrapa e CNA. O produtor tem 20 anos para identificar a oferta ambiental que ele tem na propriedade e a partir dela possa recuperar a biodiversidade e ter retorno econômico.” Ribeiro reforçou que o consumidor também tem papel fundamental nesse processo de recomposição. “Na hora que produtos pouco conhecidos como araticum, cagaita e jatobá chegarem aos mercados e as pessoas comprarem, estarão estimulando a cadeia da restauração e da recomposição da biodiversidade.” Cláudia Rabello lembrou que a fazenda Entre Rios se tornará uma vitrine para que as metodologias do Projeto Biomas possam ser replicadas em outras propriedades rurais e que em breve o produtor poderá contar com cursos à distância em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar). “Já realizamos dias de campo e estamos na fase de elaboração de cursos à distância, para isso a gente conta com o Senar que tem uma grande capilaridade junto ao produtor e uma metodologia estabelecida." A representante da Conafer, Jacqueline Caixeta, saiu animada do dia de campo. “Foram apresentadas diferentes formas de adequação ambiental da propriedade que vão ter resultados muito positivos para o nosso público, que é formado por pequenos produtores rurais.”

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