• FAO

Especialistas trocam experiências e discutem a relação pecuária e biodiversidade


Quase 30% das terras do Planeta são utilizadas para pastagens e produção de alimentos. Para fortalecer o desenvolvimento de estudos de avaliação do impacto da pecuária na biodiversidade, especialistas de várias partes do país estão reunidos em Brasília hoje e amanhã (22), em uma oficina sobre o tema, promovida pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) e secretariado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). O encontro visa ampliar o entendimento e dialogar sobre a relação pecuária e biodiversidade nos diferentes biomas brasileiros, compartilhar informações de trabalhos, pesquisas e experiências sobre o tema, bem como identificar boas práticas como potenciais estudos de caso para avaliação e adequação para a realidade brasileira do Guia Metodológico sobre o tema. Durante a abertura, a Secretária de Extrativismo e Desenvolvimento Rural Sustentável do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Juliana Simões, destacou a importância do tema para o Brasil, considerando que o país é principal produtor de carne mundial e, também, o maior em biodiversidade. "Por estes dois motivos, não haveria condições do Brasil ficar de fora desta discussão de indicadores de biodiversidade e, mais do que isso: precisamos liderar esta discussão de biodiversidade e pecuária", afirmou. Segundo a Secretária do MMA, o Brasil assumiu metas voluntárias no Acordo de Paris. E, entre estas metas, estão o compromisso de regenerar 12 milhões de hectares até 2030, ampliar em 5 milhões de hectares os sistemas agrícolas integrados e, adicionalmente, regenerar 15 milhões de pastagens degradadas. Para Juliana Simões, ao cumprir estas metas, especialmente a recuperação destes 15 milhões de hectares por meio de sistemas como o de lavoura-pecuária-floresta, será dada uma contribuição importante para a biodiversidade. "O Brasil vem enfrentando os desafios das mudanças climáticas, vem assumindo compromissos grandes em relação as suas emissões e a pecuária não ficou de fora deste compromisso". O Representante da FAO no Brasil, Alan Bojanic, também avaliou a relevância do da relação pecuária e biodiversidade e da discussão promovida nestes dois dias de oficina, no contexto da parceria de Avaliação e Desempenho Ambiental da Pecuária (Leap, sigla em inglês). Esta iniciativa, existente desde 2012, é sediada e coordenada pela FAO, e envolve múltiplos atores de governos, setor privado, ONGs e outros interessados, &8203;&8203;unidos por um compromisso compartilhado com a gestão ambiental e o desenvolvimento sustentável do setor pecuário. "Mais de 17 países estão envolvidos, com uma liderança relevante do Brasil", destacou Bojanic. Segundo o Representante, o país tem muitas pesquisas na área de sistemas de integração de pecuária-lavoura-floresta. "Esta parceria internacional Leap visa gerar metodologias, aportes, contribuições para a obtenção de diretrizes que possam ser referências para os outros países, principalmente para harmonizar estas tecnologias, ter os mesmos parâmetros", disse. Para o especialista em pecuária e biodiversidade da FAO Roma, Félix Teillard, "há uma necessidade de ferramentas que considerem toda a diversidade dos ecossistemas". Em sua apresentação, o especialista internacional destacou que o Brasil participa ativamente desta parceria por meio de importantes contribuições técnicas, com apoio de pesquisadores brasileiros liderando e participando de vários grupos internacionais que desenvolveram diretrizes metodológicas para avaliação ambiental das cadeias de fornecimento de gado, que são os principais produtos do Leap. Segundo Félix Teillard, a primeira fase da Leap foi de 2012-2015, na qual o foco era na emissão de gases de efeito estufa. Para esta segunda etapa, 2015-2018, o escopo foi ampliado e são abordados temas como uso da água, biodiversidade e serviços ecossistêmicos, entre outros. Ele também alertou para a importância desta parceria para o alcance das metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), como os objetivos 2 (Fome Zero), 14 (Vida na Água) e 15 (Vida Terrestre), entre outros.