• ASSESSORIA

Conhecimento científico dá suporte a políticas públicas, defendem líderes rurais


Tanto o Código Florestal Brasileiro, como o Marco Referencial ILPF e o Plano ABC - Agricultura de Baixa Emissão de Carbono, são exemplos cristalinos de políticas públicas que tiveram contribuição da pesquisa agropecuária em suas formulações, recentemente. Cada vez mais os institutos de ciência e tecnologia, como a Embrapa e IAC, assumem esse desafio como missão, por meio de uma cadeia de valor, que agrega eficiência, eficácia e efetividade.


“Não necessariamente entregamos produtos, mas conhecimento”, afirma o diretor de Inovação e Tecnologia da Embrapa, Cleber Soares. Em palestra durante o 1º Fórum Rural Brasileiro, em Campo Grande (MS), Soares explicou a estrutura programática da entidade e como seus projetos funcionam para gerar resultados que impactem, como os subsídios técnicos às políticas públicas.


A começar pelo atual mapa estratégico da Empresa, associado à agenda de desenvolvimento sustentável das Nações Unidas, constituída por 17 objetivos (ODS), entre eles, erradicação da pobreza, segurança alimentar, educação inclusiva, igualdade de gênero e geração de emprego e renda.


Construído em base científicas, o Marco Referencial Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) trouxe um olhar para os sistemas integrados que vai além do bem-estar animal e é mais uma mostra de interrelação.


Para Soares, o Marco abriu portas para um conceito moderno de carne sustentável produzida nos trópicos, que passa pela precificação de carbono, já em discussão por representantes governamentais e pesquisadores da Empresa em Mato Grosso do Sul. “É um mercado aberto e precisamos nos antecipar”, frisa o diretor.


A Rede BioFort, programa de biofortificação de alimentos, é outra representação, comenta. Com onze cultivares melhoradas, um dos destaques é a batata-doce Beauregard, que apresenta dez vezes mais carotenoides (pró-vitamina A) do que as concorrentes disponíveis no mercado.


Solo - O Sistema de Inteligência Territorial da Macrologística da Agropecuária Brasileira é também um exemplo. A plataforma georreferenciada disponibiliza dados sobre a produção agropecuária. Palestrante no Fórum, o analista da Embrapa Gustavo Spadotti Castro afirma que o serviço atua com três conceitos – atribuição das terras no Brasil, ocupação territorial e uso das terras.


Conforme o agrônomo, o Sistema faz recortes territoriais para múltiplas consultas e análises, com perfis agrário, agrícola, de infraestrutura e socioeconômico. Com base nesses dados, ele define a agricultura brasileira como uma das mais sustentáveis do planeta, com 66,3% em áreas destinadas à proteção e preservação de vegetação nativa (unidades de conservação, terras indígenas etc) e 30,2% para o uso agropecuário. Nos Estados Unidos, os números para uso agro saltam para 74,3% e ambiental, 19,9%.


“Como enfrentar a nova narrativa contra a agricultura? Como valorar o papel dos agricultores na preservação ambiental?” São os desafios para o uso das terras no País apontados pelo analista. Reforçando a possibilidade indicada por Cleber Soares, Castro ressalta a precificação da agropecuária nacional como oportunidade, simultaneamente, com a valorização de sua agricultura sustentável e encontrada nas inovações tecnológicas disponibilizadas à sociedade.


Além de Cleber Soares e Gustado Spadotti Castro palestraram no evento Eduardo Riedel (Governo do Estado de Mato Grosso do Sul), Ana Amélia de Lemos (senadora/RS), Francisco Graziano (engenheiro agrônomo e articulista) e Carolina Coelho (produtor rural).


O Fórum integra a agenda técnica da instituição de pesquisa na 80ª Exposição Agropecuária de Campo Grande – Expogrande, que segue até o próximo dia 15 na capital sul-mato-grossense, e foi promovido pela Acrissul (Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul) e Embrapa.