• CGNews

MS: Dívida de R$ 40 milhões paralisa operações da JBS de Cassilândia


Com capacidade de abate de 500 cabeças por dia, a unidade do frigorífico JBS em Cassilândia, a 418 quilômetros de Campo Grande, está com as atividades paradas e pode ser fechada definitivamente. A situação se relaciona à multa da empresa com o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), que totaliza R$ 40,2 milhões.


A planta de Cassilândia é administrada comercialmente pela JBS, mas pertence, de fato, à Prefeitura de Cassilândia. Antes da JBS, a Rodopa Indústria e Comércio de Alimentos era a empresa que administrava a unidade.


Em 2014, o Cade aprovou Ato de Concentração (fusão de empresas) entre JBS, Rodopa, além da Forte Empreendimentos e Participações. Na ocasião, a JBS locou três unidades de abate e desossa, a de Cassilândia e outras duas no interior de São Paulo e de Goiás, conforme informou o Cade.


O conselho condicionou a concentração das empresas ao cumprimento de algumas obrigações, como manutenção nas unidades de níveis médios de abates de bovinos pelo período de três anos. Isso não foi cumprido, segundo o Cade.


“O Cade reviu a operação, em outubro de 2016, aplicou multa sobre a JBS e a Rodopa, por descumprimento dos termos do Ato de Concentração”. O valor da multa era de R$ 200 mil cada. O conselho também determinou algumas condições para que a operação fosse desfeita.


Entre essas obrigações, estava a de manutenção de patamares mínimo de produtividade previstos no acordo original, com relação às plantas da Rodopa arrendadas pela JBS. Novamente, as condições não foram cumpridas e novas multas foram aplicadas.


“Ainda em 2017, após essa decisão do Cade, as empresas comunicaram a rescisão imediata do contrato de arrendamento. A rescisão não seguiu, porém, os padrões estabelecidos pelo Cade, por isso as empresas foram multadas novamente”, informou o conselho. Desta vez, a JBS recebeu multa de R$ 40 milhões; e Rodopa e Forte, em 1,6 R$ milhão, solidariamente.


O Cade informou, ainda, que as multas estão sendo questionadas judicialmente, mas, por enquanto, não houve nenhuma determinação adicional do conselho. “No momento, as questões referentes à venda ou devolução de ativos objeto da operação não são mais da alçada do Cade”, finalizou.


Parada – Em entrevista a programa de rádio do Notícias Agrícolas, nesta terça-feira (20), o presidente do Sindicato Rural de Cassilândia, Silas Alberto de Souza, informou que os abates na unidade do município foram realizadas só até sexta-feira (dia 16). “Desde então, estamos vivendo esse drama aqui em Cassilândia. Agora só se fala em demissão e fechamento da planta”, afirmou.


Na manhã desta desta terça-feira, ainda de acordo com Silas Alberto, o prefeito de Cassilândia, Jair Boni (PSDB), encontrou-se com diretores da JBS. Há possibilidade de a unidade ser devolvida para o município.


O presidente do sindicato afirmou que o frigorífico é o segundo maior empregador de Cassilândia, superada apenas pela administração pública. A capacidade de abate diário da unidade, conforme Silas, era de 500 a 600 bovinos por dia. Silas acredita que outras unidades possam ser fechadas. “A JBS já definiu que onde é dona da planta vai permanecer. Onde não for, vai entregar. E esse é o caso de Cassilândia”, afirmou. A empresa JBS foi procurada, mas disse apenas não comentará sobre o assunto.