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Estudo destaca casos de abortamento de vagens e enchimento deficiente de grãos em soja


Os pesquisadores da Embrapa Soja elaboraram uma nota técnica sobre relatos de casos de abortamento de vagens de soja, de plantas com poucas ou nenhuma vagem, e com enchimento de grãos abaixo do esperado.


O problema é localizado principalmente no Paraná, apesar de haver relatos em outras regiões brasileiras, nesta safra de 2017/2018. Segundo os pesquisadores, o problema ocorre pontualmente em lavouras específicas e o desenvolvimento da soja está normal na imensa maioria das lavouras.


Por isso, estima-se que não haverá redução significativa da produção de soja por abortamento e queda de vagens. O abortamento anormal de vagens ou o deficiente enchimento dos grãos está acontecendo pontualmente em algumas regiões, principalmente no Oeste e no Norte do Paraná e no Médio Paranapanema em São Paulo.


No entanto, os casos são pontuais e de distribuição aleatória, com baixa representatividade perante o total de lavouras comerciais desses Estados. Consultas feitas à EMATER-PR, Departamento de Economia Rural/Secretaria de Agricultura do Paraná e cooperativas dão conta de que o problema se restringe a algumas lavouras, em suas regiões de atuação. É importante ressaltar que nas mesmas regiões a maioria das áreas estão com desenvolvimento normal, o que sugere que o problema ocorreu quando houve a coincidência de vários fatores, sendo que o excesso de umidade no solo e no ar e a baixa luminosidade são fatores que podem ter potencializado o fenômeno.


Fatores como a maior ou menor sensibilidade de algumas cultivares, época de plantio, práticas equivocadas de manejo do solo e da cultura na área ou talhão, podem também estar interagindo para a ocorrência do problema. Esses problemas tem sido erroneamente associados a fatores isolados, sendo um deles a ocorrência de antracnose, doença causada por Colletotrichum truncatum, e que pode atacar folhas (nervuras), hastes, pecíolos e vagens.


A infecção e o desenvolvimento da doença são favorecidos por altas umidade e temperatura, o que torna essa doença comum nos Cerrados. Apesar do fungo ser de ocorrência comum, na maioria dos casos (fora dos Cerrados), é mais um oportunista, ou seja, cresce em tecidos da planta mortos por outras causas. E, mesmo nos Cerrados, onde a doença é comum e grave, não provoca queda de vagens verdes, como vem ocorrendo nessa safra.