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RJ: Seminário destaca novas tecnologias para embalagens e redução de perdas de alimentos


O seminário internacional sobre redução de perdas e desperdício de alimentos, promovido pela Associação Brasileira de Embalagens (Abre) na terça-feira (7), reuniu cerca de 100 pessoas no Hotel JW Marriot, no Rio de Janeiro. Os debates giraram em torno do desafio de alimentar uma população crescente, que deve chegar a nove bilhões de pessoas em 2050, reduzindo os índices de perda e desperdício de alimentos. A Embrapa esteve presente no evento, apresentando soluções tecnológicas, como as embalagens anatômicas para frutas e revestimentos comestíveis, que prolongam a vida útil dos alimentos. O pesquisador da Embrapa Agroindústria de Alimentos (Rio de Janeiro, RJ) Antonio Gomes apresentou as tecnologias desenvolvidas pela equipe da área de pós-colheita, a partir do cenário nacional, que demanda principalmente capacitação técnica, incremento logístico e desenvolvimento tecnológico. Os revestimentos comestíveis, desenvolvidos pelos pesquisadores da Embrapa, podem ser aplicados em goiaba, caqui, tomate, manga, coco e palmito pupunha, podendo até mesmo triplicar sua vida útil. Já as embalagens anatômicas para frutas, desenvolvidas em parceria com o Instituto Nacional de Tecnologia (INT) e o Instituto de Macromoléculas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Ufrj), podem reduzir em até 80% as perdas de morango, caqui, manga e mamão, durante o armazenamento e transporte. As embalagens incrementam a vida útil e protegem os frutos, mantendo as propriedades nutricionais e sensoriais. “Produzidas com uma combinação de biopolímero e esponja vegetal, elas podem ser reutilizadas mais de 30 vezes, ao atuar em uma logística reversa”, explica Gomes. Os pesquisadores já depositaram 30 pedidos de patentes referentes a essas embalagens no Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (Inpi), abrangendo diferentes formatos e tamanhos de frutas. Desperdício, uma pauta global

A presidente da Abre, Gisela Schulzinger, falou na abertura do evento sobre novos valores que direcionam os negócios: economia compartilhada, inteligência artificial, transparência radical, rapidez, cooperação, propósito e sustentabilidade. “Como repensar o negócio de embalagens para atender as novas necessidades da sociedade? Onde estaremos daqui a dez anos?”, perguntou à plateia. Uma das respostas foi dada pela assinatura de um memorando de entendimento para cooperação entre a Organização Mundial de Embalagens (WPO) e a Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (Unido), de forma a promover o crescimento da indústria de embalagens em países em desenvolvimento. O presidente da WPO, Thomas Schneider, ratificou a questão ao afirmar que é fundamental avançar em conhecimento e parcerias estratégias para aprimorar embalagens com melhores materiais, designs e rótulos; além de promover cada vez mais a conscientização para redução do desperdício de alimentos, a fim de enfrentar o desafio de alimentar uma população mundial crescente. O diretor da Braskem, Yuki Kane, falou sobre os impactos ambientais causados pelas embalagens. A tendência do setor é utilizar embalagens inteligentes que protejam e aumentem a vida útil dos alimentos, dentro da máxima “Packing saves food” (embalagens protegem alimentos), repetida também por outros palestrantes. Outra via apontada pela Braskem é minimizar o uso de embalagens dentro da filosofia dos 3Rs: reduzir, reutilizar e reciclar, especialmente no atual cenário de urbanização, crescimento populacional, mudanças climáticas e consumo excessivo. Já a diretora-executiva da Abre, Luciana Pellegrino, valorizou a integração entre a indústria brasileira e a internacional para o aprimoramento das embalagens de alimentos e, consequentemente, melhoria da qualidade de vida da população.