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A situação dos transgênicos no Brasil foi debatida na Câmara dos Deputados


A situação das culturas agrícolas geneticamente modificadas no Brasil, sob a ótica econômica foi debatida em Audiência Pública na Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados e presidida pelo deputado Nilto Tatto, na tarde desta terça-feira, 31 de outubro. O pesquisador Alexandre Nepomuceno representou a Empresa no debate que contou ainda com participação de representes da academia e da sociedade civil organizada.


Alexandre Nepomuceno disse que é preciso desmistificar o uso da engenharia genética, que já é usada desde a década de 70. Ele mostrou que a biotecnologia não é utilizada apenas pela agricultura e é possível encontrar organismos geneticamente modificados (OGM) na insulina utilizada pelos diabéticos, em vacinas, em produtos de limpeza e na fabricação de cerveja, queijo industrial, iogurtes e vinhos, por exemplo.


De acordo com o pesquisador, no Brasil existe liberação para cultivo de 70 cultivares OGM de milho, 10 de soja e 12 de algodão, sendo o País o 2º maior produtor de culturas transgênicas. “Hoje encontramos OGMs em lavouras de toda a parte do mundo”, afirmou, explicando que em sua maioria essas cultivares possuem resistência a herbicida ou a insetos, com uso do bacilo thuringiensis (BT).


Várias empresas brasileiras estão desenvolvendo culturas OGMs com foco na tolerância à seca e alagamentos, devido às mudanças climáticas, ou na resistência a doenças, insetos e nematoides e para melhorar a produtividade ou valor nutricional. Dentre estas culturas que estão recebendo esse tipo de intervenção, Nepomuceno destacou os citrus, hortaliças, mamão, coco, mandioca, cana, trigo, mamona, pinhão manso, além do milho e da soja.


Ele informou que a biotecnologia tem avançado muito em relação aos OGM convencionais. Novas tecnologias como o RNA interferente (RNAi), que silencia genes de interesse e cujos cientistas ganharam prêmio Nobel por essa descoberta em 2006 ou o CRISPR-Cas9, técnica que pode editar e modificar o DNA. “O que se busca é diminuir ou mesmo acabar com uso de agrotóxicos no futuro”, disse o pesquisador.


“Hoje estamos sequenciando o DNA da biodiversidade para conhecer a estratégia que a evolução gerou para adaptar os organismos e usar essas informações para gerar valor para a agricultura”. Ele disse que o Brasil possui 20% da biodiversidade do planeta e que os outros países têm grande interesse nesse patrimônio genético. “ A academia Chinesa de Ciência, por exemplo, sequenciou o genoma de duas espécies de mandioca da Amazônia e estão com essa informação há cinco anos, coisa que ainda não temos”, alertou o cientista, afirmando que o Brasil não pode ficar a reboque neste tipo de conhecimento. “A engenharia genética é extremamente importante para o Brasil. Precisamos desmistificar e discutir como País qual a melhor estratégia”, concluiu.


Para o deputado Nilto Tatto, o aspecto econômico tem sido pouco abordado em debates sobre as culturas transgênicas, que geralmente focam em questões sobre os impactos ambientais e sociais destas culturas agrícolas. Ele acredita ser necessário dar enfoque a questões como custos de produção, compensação ambiental e para as tendências do mercado interno e externo para os produtos transgênicos. Os debatedores apresentaram diferentes posições, favoráveis e contra a produção e a comercialização de organismos geneticamente modificados.


Também foram debatedores o vice-reitor da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), Antônio Inácio Andrioli; o advogado Néri Perin; o representante da Campanha permanente contra os transgênicos e pela vida Francisco Dal Chiavon e Marijane Lisboa, que é membro do Conselho Diretor do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (IDEC).