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Embrapa busca 'parentes' do gado Pantaneiro na região fronteiriça com a Bolívia


A pesquisadora da Embrapa Pantanal (Corumbá/MS) esteve em Arroyo Conepción, na Bolívia, em uma palestra para universitários do país vizinho sobre raças bovinas localmente adaptadas presentes na fronteira. O contato com os vizinhos da Bolívia, diz Raquel, é uma forma de procurar “parentes” da raça conhecida como bovino Pantaneiro, encontrada no Pantanal brasileiro, nas raças bovinas crioulas presentes em território boliviano.


“Tenho notícias por publicações científicas e por conversas com os moradores daqui que existem pelo menos dois tipos de gado crioulo na região: o Yacumeño e o Chiquitano. Mas não sabemos, ainda, qual é a proximidade desses animais (em termos de perfil genético) do nosso bovino Pantaneiro”, afirma a pesquisadora.


O bovino passou por quinhentos anos de seleção natural em meio aos extremos ambientais do bioma e desenvolveu uma rusticidade característica da raça. Ele pode pastejar em locais alagados, manter taxas reprodutivas satisfatórias mesmo em períodos com menor disponibilidade de alimentos como a seca, possui baixa exigência nutricional, habilidades maternas e diferenciais para a produção de carne e leite. Porém, existem apenas cerca de 500 animais comprovadamente Pantaneiros no País, atualmente – o que os coloca em risco de extinção e aumenta a urgência da conservação de seu material genético.


O trabalho da Embrapa realizou genotipagem e comparação entre as raças, constatando que o bovino Pantaneiro tem uma proximidade com o Pilcomayo, que é um gado do Paraguai. “Temos uma história que justifica isso: o sul de Mato Grosso do Sul (a região depois da Serra da Bodoquena), que também tinha bovinos Pantaneiros, faz divisa com o Paraguai. O gado de Porto Murtinho, por exemplo, provavelmente tem muita influência dos animais desse país. É de se esperar, portanto, que a nossa fronteira de Corumbá e do Mato Grosso, na região do Pantanal, também tenha alguma interferência genética entre as raças”, diz a pesquisadora.


Encontrar paralelos genéticos entre os animais do Brasil e da Bolívia poderia beneficiar a genética dos animais dos dois países. “A gente pode pensar em aumentar o nosso rebanho – dependendo da proximidade genética com o gado crioulo deles – usando o material genético que eles tiverem disponível. Podemos utilizar fêmeas de raças adaptadas bolivianas e introduzi-las no Brasil para cruzar com os machos Pantaneiros. Assim, teríamos uma raça próxima, com características adaptativas aproximadas da raça brasileira, com uma possível chance de recuperação: em cinco gerações, ela poderia ser absorvida pelo bovino Pantaneiro”, finaliza.