• Embrapa

Sistema de conservação de microrganismos assegura padrão do produto final


As coleções de microrganismos guardam um verdadeiro tesouro genético à disposição da sociedade. (Foto: Embrapa)

Em quase 50% das unidades de pesquisa que a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) mantém em todo o Território Nacional, encontram-se coleções de microrganismos com potencial de aplicação nos mais diversos setores da economia brasileira. Esses acervos genéticos conservam vírus, bactérias, fungos e leveduras de todos os biomas do País de grande interesse para a agricultura, agroindústria, pecuária, alimentação, entre outros segmentos de importância para o agronegócio. Em 2012, a Empresa começou a investir fortemente na implantação de requisitos de qualidade nessas coleções, de forma a adequá-las aos padrões nacionais e internacionais exigidos pelo mercado.


Os requisitos são definidos com base nas normas internacionais (ABNT ISO/IEC 17025, ABNT ISO GUIA 34 e Versão Brasileira do Documento Diretrizes da OCDE de Boas Práticas para Centros de Recursos Biológicos) e envolvem documentação, registros, pessoal, instalações de campo e laboratoriais, condições ambientais, equipamentos e rastreabilidade.


"É um trabalho hercúleo implantar esses requisitos em 21 coleções de microrganismos de 18 unidades de pesquisa da Embrapa”, afirma a pesquisadora especialista em gestão da qualidade na Empresa, Clarissa Castro. Mas, nem a magnitude do projeto foi suficiente para desanimar a ela e a uma equipe de pesquisadores de norte a sul do Brasil, que desde 2012 se lançaram ao desafio de adequar os seus acervos genéticos aos padrões internacionais de qualidade. As ações começaram com o diagnóstico de todas essas coleções e resultaram num modelo corporativo para gestão dessas coleções.


Hoje, cinco anos depois, em uma reunião realizada na Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, pesquisadores de 12 dessas Unidades compartilharam as experiências adquiridas ao longo desse período e comemoraram os bons resultados de seus esforços. “É claro que os patamares de alcance dos resultados são diferentes porque algumas das coleções já têm mais de três décadas e outras são bem mais novas, mas no geral os resultados da implantação da qualidade são muito positivos em todas as unidades envolvidas nesse processo”, constata Clarissa.


Além do tempo, existem também diferenças conceituais entre as coleções, que podem ser divididas em três modelos: Centros de Recursos Biológicos (CRBs), Institucionais (CI) e de Trabalho (CT). Os CRBs têm como função principal preservar e fornecer recursos biológicos (com qualidade assegurada) para P&D e aplicações nos setores científicos, industriais, de agronegócios, ambiente e saúde; desenvolver P&D sobre os recursos biológicos mantidos e conservar a biodiversidade. Mas, para se tornar um CRB, a coleção tem que atender às normas de acreditação do INMETRO e dos demais órgãos.


As coleções institucionais são aquelas que atendem a várias pesquisas e instituições e a requisitos mínimos. Essas coleções atuam como fiéis depositárias e possuem curadores responsáveis, podendo executar atividades práticas de coleta de amostras, isolamento, identificação, caracterização, prospecção, armazenamento e documentação. As coleções de trabalho são aquelas que atendem a um ou a mais projetos de pesquisa e a requisitos mínimos. Geralmente, estão vinculadas a projetos específicos e a uma ou mais coleções institucionais ou CRBs e possuem pesquisadores responsáveis, podendo executar atividades práticas de coleta de amostras,isolamento, identificação, caracterização, prospecção, armazenamento e documentação.


Microrganismos de qualidade


Para o analista da Embrapa Soja (Londrina-PR), Moisés de Aquino, a importância da implantação de CRBs não se restringe à garantia da qualidade dos isolados disponibilizados. “Mais do que assegurar a confiabilidade das informações sobre os microrganismos, a instituição do CRB Embrapa possibilitará o rápido acesso a esses recursos genéticos a partir de coleções instaladas em diferentes Unidades. Isso é muito importante para pesquisadores e profissionais que irão utilizá-los no desenvolvimento de novos produtos e tecnologias”, afirma.


O CRB da Embrapa Soja contém 3.409 linhagens de bactérias fixadoras de nitrogênio do solo de interesse para o agronegócio da soja. A fixação de nitrogênio é a segunda função mais importante da planta, perdendo apenas para a fotossíntese. Se considerarmos que o complexo agroindustrial da soja é o principal exportador de produtos agropecuários no Brasil e que as exportações originadas pela cadeia produtiva desta commodityalcançam cerca de US$ 31 bilhões, é possível imaginar o valor do material genético conservado pela Embrapa.