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Produção orgânica em Minas Gerais destaca cultivar de milho BRS Caimbé


Sistemas de produção instalados com a orientação de associações de produtores em Minas Gerais têm adotado o cultivo orgânico de hortaliças como boa opção para a região. Outros produtos também estão sendo introduzidos com bons resultados. É o caso do milho. A cultivar da Embrapa BRS Caimbé, uma variedade de ciclo precoce recomendada para a agricultura familiar, apresenta adaptabilidade às principais regiões do País. Há duas safras, os horticultores da Serra do Rola Moça, em Ibirité (MG), na região metropolitana de Belo Horizonte, conheceram esse material por intermédio do assessor técnico da Associação No Ato Ambiental, Luiz Carlos Quaresma Lemos. “Pensamos em oferecer para os agricultores um milho crioulo, um milho variedade, que pudesse garantir a segurança alimentar e a sustentabilidade, mas que fosse ao mesmo tempo um material genético de qualidade. Em contato com a Embrapa, soubemos da existência dessa semente orgânica de milho”, conta Quaresma. A partir daí, dois agricultores plantaram a semente em um terreno de pouco mais de mil metros quadrados, no alto da serra, em uma área que anteriormente era usada para o cultivo de hortaliças. Todo o cultivo foi feito de forma orgânica. “O milho sofreu um ataque de lagartas e depois, para nossa surpresa, teve um arranque e conseguimos uma produção muito boa. Os agricultores conseguiram fazer a colheita e fizeram a seleção das melhores espigas. Fizemos também a seleção dos grãos e replantamos. Agora, a safra dessa colheita está melhor que a primeira”, relata o assessor técnico. Gente muito simples, de poucos recursos, os agricultores Geraldo Cezar e José Altair, da Associação dos Agricultores Agroecológicos da Serra do Rola Moça, mostram com orgulho sementes da última colheita do milho guardadas em embalagens do tipo pet. Vão replantar na próxima safra, assim que começar a chover. Para eles, que plantaram a roça sem fazer correção do solo, sem adubar e sem controle de pragas ou doenças, o desempenho da cultivar surpreendeu. “Não fizemos controle de pragas, não usamos agrotóxicos, não usamos nada. Foi plantado com enxada, na cova, e produziu muito bem”, explica o agricultor Geraldo Cezar. Para José Altair, a resistência do milho ao ataque de pragas, como a lagarta-do-cartucho, e a produção alcançada foram os diferenciais. “Pra mim, o milho é muito bom, porque só jogamos a semente na terra, demos uma capina e ele deu um bom milho, uma boa produção. Só de ter dado um bom milho, já é sinal de que ele pode expandir para outras pessoas, já que temos a semente. Foi uma produção boa e pela área que plantamos, eu achava que não ia dar o tanto de milho que deu. Vocês estão vendo o resultado aí. Pra nós foi muito bom, graças a Deus”, conta. Toda a produção orgânica da cultivar BRS Caimbé na Serra do Rola Moça é destinada para o consumo próprio dos agricultores. Do milho verde, passando por pamonha e curau para as famílias, e do milho em grão se transformando em fubá ou alimento para pequenos animais, como porcos e galinhas.


“O que a gente quer é que os agricultores tenham esse material genético para continuar produzindo, garantindo a sustentabilidade, a segurança alimentar das suas famílias e que possam ter um alimento de qualidade”, almeja Quaresma. Ele conta ainda que as associações pretendem fazer a difusão do milho da Embrapa para outros agricultores da região, tendo a garantia de uma semente de qualidade em mãos. Mercado estratégico

A cultivar da Embrapa BRS Caimbé é comercializada pela empresa Grãos Orgânicos desde o segundo semestre de 2015. Após testes e validações feitos pela Embrapa em sistemas orgânicos de produção, a licenciada comercializa sementes orgânicas da variedade.