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SP: Agroquímicos e a agricultura da era digital foram temas de simpósio internacional


O aprimoramento da tecnologia de aplicação de defensivos agrícolas na era digital foi o tema central da 8ª edição do Sintag – Simpósio Internacional de Tecnologia de Aplicação -, recém-encerrado, realizado na cidade paulista de Campinas. O evento contou com a presença de pesquisadores do Brasil e do exterior e também debateu o futuro da agricultura mundial, com ênfase na expectativa de aumento da demanda global por alimentos nas próximas décadas.


Na palestra de abertura, o engenheiro agrônomo Terry Wiles, consultor da FAO – Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação -, falou sobre a evolução das tecnologias de aplicação de defensivos agrícolas da década de 1950 até os dias de hoje. Segundo ele, o avanço tecnológico observado desde então em segmentos como a indústria de pulverizadores, trouxe ganhos de eficiência econômica à agricultura. De acordo com o consultor, a inovação aplicada a materiais e processos resultou ainda na redução dos índices de contaminação de trabalhadores e do meio ambiente.


Outro destaque do encontro internacional foi o célebre professor brasileiro Tomomassa Matuo, considerado por muitos o ‘pai’ da tecnologia de aplicação de defensivos agrícolas no Brasil. O docente aposentado da Unesp – Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho -, hoje consultor, enfatizou o empenho de acadêmicos e de profissionais, ao longo de décadas, para profissionalizar no Brasil a área de tecnologia de aplicação de defensivos agrícolas.


Segundo o pesquisador científico Hamilton Ramos, do Centro de Engenharia e Automação do Instituto Agronômico (CEA/IAC), coordenador do simpósio internacional, o Brasil registrou nos últimos 30 anos um salto tecnológico representativo no tocante ao manejo de defensivos agrícolas.


“A pesquisa agrícola ininterrupta obteve como principal conquista o pleno domínio do conhecimento da relação entre pragas, agrotóxicos, máquinas e o meio ambiente”, ressalta Ramos. “Até a década de 1990, agrônomos e técnicos aprendiam a manejar esses produtos com os agricultores, uma situação que resultava na repetição de erros e na ocorrência de falhas graves nas lavouras”, explica o cientista.


O pesquisador Luiz Antonio Palladini, da Epagri – Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão do Estado de Santa Catarina – ressaltou em sua apresentação a necessidade de aumento de investimentos na pesquisa agrícola, bem como da destinação de recursos ao desenvolvimento continuado da área de tecnologia de aplicação de defensivos agrícolas.


Para Palladini, nas próximas décadas tanto o Brasil como demais países agrícolas precisarão produzir mais em menores espaços, em menor tempo e com redução de gastos em recursos ambientais. Dados da FAO, salientou o pesquisador, indicam que a população do planeta chegará à casa de 9 bilhões de pessoas em 2050.


“Somente a tecnologia possibilitará atender à crescente demanda por alimentos de agora aos próximos trinta anos. No plano interno, o Brasil terá de caminhar rápido na implementação de tecnologias digitais na agricultura, incluindo a adoção de novos sensores, drones, aplicativos e outras novidades”, resumiu o cientista.


A organização do 8º Simpósio Internacional de Tecnologia de Aplicação uniu o Centro de Engenharia e Automação do IAC, sediado em Jundiaí (SP) - órgão da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo - à Fepaf – Fundação de Estudos e Pesquisas Agrícolas e Florestais da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp/Botucatu).

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