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Parceria público-privada vai encurtar o caminho entre a ciência e o campo


O algodão é um produto de grande importância socioeconômica para o Brasil. Além de ser a mais importante fonte de fibras naturais, garante ao País lugar de destaque no cenário internacional como um dos cinco maiores produtores mundiais, ao lado de China, Índia, Estados Unidos e Paquistão. No dia 6 de setembro de 2017, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (ABRAPA) e o Instituto Mato-grossense do Algodão (IMAmt) assinaram uma parceria público-privada que irá impulsionar os resultados neste setor.


A pesquisa envolve duas unidades da Embrapa (Recursos Genéticos e Biotecnologia e Algodão) e o IMAmt e contará com financiamento das associações estaduais dos produtores de algodão, representadas pela ABRAPA, por meio do Instituto Brasileiro do Algodão (IBA). As instituições unem forças para levar tecnologias de ponta da área da biotecnologia vegetal ao setor produtivo.


“O acordo representa um modelo ideal de cooperação técnica entre os setores público e privado, pois contribuirá para o desenvolvimento de produtos biotecnológicos no Brasil, a partir da transferência do acervo de conhecimentos gerado na Embrapa ao setor produtivo”, explica Fatima Grossi, pesquisadora da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia.


Ela coordena o Laboratório de Interação Planta-Praga, considerado referência mundial nas pesquisas com transformação genética de algodão e indica que a parceria vai funcionar a partir de uma Plataforma de Pesquisa cuja meta é atender às demandas da cotonicultura brasileira. Nesta primeira etapa, o objetivo é desenvolver uma variedade de algodão geneticamente modificado resistente ao bicudo do algodoeiro.


O foco, como destaca a pesquisadora, é na geração de produtos. Desde 2009, a Embrapa se dedica a desenvolver e testar ativos biotecnológicos (genes e promotores, entre outros elementos necessários à transformação genética de plantas) em prol do setor da cotonicultura brasileira, com o apoio de agências de fomento do País, como CNPq, CAPES e FAP-DF.


Além das tecnologias para controle do bicudo do algodoeiro, a parceria firmada entre a Embrapa, a ABRAPA e o IMA-mt poderá contribuir, futuramente, para o desenvolvimento de outros ativos e produtos com características de interesse para o mercado, todos voltados à cultura do algodão, como resistência a outras pragas de relevância nacional e tolerância a estresses abióticos, como a seca. “O nosso propósito é que essas inovações cheguem com mais celeridade e qualidade ao setor produtivo”, ressalta.


No que se refere à parte científica, a pesquisa conduzida em conjunto entre a Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia e a Embrapa Algodão já está bastante avançada. “Ao longo desses últimos anos de pesquisa, identificamos e validamos moléculas bioativas, otimizamos a transformação genética para variedades brasileiras de algodão, realizamos provas de conceito em plantas de algodão para diferentes genes e dominamos a tecnologia de RNA interferente (considerada como estratégia sustentável para o controle especifico de insetos-praga), entre inúmeros outros resultados, todos patenteados. Agora, juntamente com o setor privado, as tecnologias geradas e as vindouras poderão tornar-se eventos-elite para atender às demandas do agronegócio do algodão”, afirma Fatima Grossi.


A primeira ação da plataforma será voltada ao controle da pior praga do algodão na América do Sul: o bicudo do algodoeiro. Este inseto afeta todas as regiões produtoras do Brasil e representa um custo adicional de cerca de US$ 250 por hectare, além das perdas de produtividade e impactos sobre a saúde humana e meio ambiente. Nesta etapa inicial do projeto, serão investidos aproximadamente R$ 18 milhões ao longo de 5 anos.